Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Alegoria do não saber

...E o mar secou...
Contra todas as correntes
À revelia das nascentes
...E apareceram as pedras,
Os barrancos, os abismos,
Os antigos e longínquos epicentros, origens dos sismos.
...E foi um choque...
Mesmo para os céticos geólogos,
Oceanógrafos, e afins estudiosos, curiosos e toda a população.
...O fundo era íngreme...
Muito mais do que a mais inventiva mente ousou imaginar.
Impassível às exclamações, imutável ante a perplexidade.

Que falta faz o não saber dessas coisas!
Quanta saudade do velejar a distancia desses acidentes!
Como era lindo aquele azul!
Pouco interessa se aquela água agora é doce.
Se... Transformou-se em nuvens?
De que valem lagos piscosos se o bom era a dificuldade da pesca?
...E toda essa terra...
Irá desvalorizar bens litorâneos!
Distribuir-se a qualquer um.
...O mar secou...
Expôs fendas profundas,
Fendas que ninguém sabia,
Que não se queria.
...Mas um dia... Um dia o mar vai voltar...
Encobrindo as estradas, as casas, as matas,
E a essa nova casta!
Há! Ele voltará...
Nem que explodam as nuvens!
Que precisem salgar o tempo!
Que teimem em inventar um mar
Nem que o tenham que inventar.
Edbar
Enviado por Edbar em 15/11/2006
Código do texto: T291696
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Edbar www.recantodasletras.com.br). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Edbar
Recife - Pernambuco - Brasil, 65 anos
2870 textos (82769 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 14:16)
Edbar