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Possível redenção

Estou passando por uma crise terrível de inspiração. Não consigo. Tenho vontade de tomar o café que mantém meus músculos contraídos. Não é dor. É cinismo. Cinismo esse: chá de constipação.
Onde está o seu Deus? Bem que ele poderia me confortar agora, não? Venha! Traga sentido ao cosmos que me rodeia! Minha cabeça está entrando num estado inóspito de descrença e vertigem espiritual. Tudo é uno? Quero que seja. Esteja ao meu redor todos os cânticos naufragados em ilhas dormentes de tristeza.
Deus, me ajuda, eu te peço tanto: por favor.
Toca minha mão, Deus. Vai! Não se acanhe! Está calejada! A dor de agora inexiste na mesquinhez do antro de pessimismo e cólera que me encontro.
Vísceras cheias de despudor e morte.
Ele está perto? Sem medo: Você está perto? Me salva?
Não consigo conter a raiva que eu sinto do governo. Mais pessoas morrem em filas dos hospitais e muito mais continuam assistindo os “ big brothers”.
Articulo sons sem sentidos pra alguém que esteja disposto a tapar os ouvidos. Eu posso ferir. O que você prefere? Si ou eu-mesmo?
Pego o copo D’água, bebo-o: força de cão. Eu deixo escorrer algumas gotas. Liberdade aterradora de sair pela tangente. Cadê? Aqui. Rapidez é tudo hoje em dia. Eu estou com fome. Abro a geladeira: frio artificial, frio industrial que passam de leve sob  minha face. Não como nada. Industrializante.
Fluxo contínuo de pensamentos difusos: debocho com o mundo: fatal. Nossa, como tudo ultimamente tem sido tão fatal... Minha vida tem caído numa fatalidade irreversível.
Meu café! Hum... está gostoso! Coloquei creme de chantili! É cremoso... destituo o cremoso? Será café gostoso? Mas que ideia estranha... enfim... tenho medo de me limitar... atravesso a linha limítrofe do medo...
Eu sou meu medo em queda livre. Meu medo cai mais rápido que uma folha de papel- o ar não opõe resistência à minha descida:
- você resolveu o que eu lhe pedi?
- não. Esqueci.
- você não muda, continua o mesmo irresponsável.
- adeus.
- pra onde você vai?
- me jogarei no precipício da verdade. Quero alcançar a vontade de ter uma verdade. Serei moral.
- é... você sempre gostou de ser anti-moral, não imoral propriamente. Mas você se apropriou do anti como filosofia...
Fizeram uma homenagem pra mim. Na internet. E eu chorei ao lê-la. Eu preferia um abraço. Homenagem na internet também serve.
Nada consegue mais abarcar as sensações longínquas-remotas de percepções exatas do viver.

Para onde vai?

Vou vivendo até saber que quando meu sorriso cessar, vou viver morrendo até de morte verdadeira eu morrer.

existencialista
Enviado por existencialista em 17/11/2006
Reeditado em 20/02/2015
Código do texto: T294270
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
existencialista
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 29 anos
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