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Filosofias fisiológicas e espirituais.

Neste momento de solidão vejo azulejos, uma porta, uma pia e, principalmente, os meus pés. O meu corpo aqui sentado só espera que a natureza manifeste o seu ofício. Já a minha imaginação voa, e como voa, pois ela não paira neste ambiente de orquestras flatulentas e redolentes, e o meu pensamento atravessa até continentes. Então, divagando muito, chego a uma filosófica constatação:
“Nesta hora todo o ser humano é rei !”  Não importa se é néscio ou sagaz; se é branco, negro ou amarelo; se é um extrênuo inexpugnável ou um tolo pusilânime; seja católico, judeu, budista, hinduísta, xintoísta,  confucionísta... não interessa se é ateu ou enteu; se é homem ou mulher; se é rico ou pobre; se é velho ou criança; et cétara e tal. Quando se senta no “trono” ninguém é superior ou inferior a ninguém, porque pódices se abrem e fecham da mesma maneira independentemente da gênese civilizatória do indivíduo. Quando terminado o ato defecativo até o espírito agradece, pois a leveza e a paz se instalam no semblante que, refletido no espelho, transparece a nitecência das pupilas.
Os indícios do capitalismo manifestam-se na hora de se limpar, pois enquanto alguns são providos apenas de dedos, outros usam jornais, revistas e guardanapos, e ainda outros de uma camada minoritária limpam-se com papel higiênico “Snob”.
Outras peculiaridades aparecem no momento de dar descarga, ou enterrar, ou ainda deixar ao ar livre (bem isto varia de acordo com a precariedade sanitária do toialet do defecador) pois na hora da despedida a paisagem que nos enche os olhos varia de indivíduo para indivíduo, e/ou estado fisiológico do ser. Células nevrálgicas do cérebro podem captar imagens de racemos de uva, lodos barrentos, troncos de jequitibá, carros alegóricos de carnaval enfeitados com grãos de milho, pedaços de alface e cor de beterraba...
O que não pode ser esquecido é que o intuito do ato de purgação é sempre o mesmo, purificar o organismo. Não importa o odor do excremento o destino é sempre o mesmo assim como o destino do ser humano que constantemente tem a morte à sua espera e que deveria deixar sempre nos anais da história do seu nome “honor” para sua alma seguir leve e em paz.
Hermison Frazzon da Cunha
Enviado por Hermison Frazzon da Cunha em 30/06/2005
Reeditado em 17/08/2013
Código do texto: T29536
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Sobre o autor
Hermison Frazzon da Cunha
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 37 anos
103 textos (26992 leituras)
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Hermison Frazzon da Cunha