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A ÚLTIMA DINASTIA DA BELEZA.


A ULTIMA DINASTIA DA BELEZA.


Sarah.



Este poema foi vivido e por isso vem datado de l962.
Ele nasceu no misterioso, longínquo e secular Egito, junto ao sol nascente no reino de Ramsés num movediço deserto.
Ele se fez poesia pura nas milenares sombras das pirâmides e nos sonhos de Sarah, que navegavam perdidos no dorso branco do lótus.
Vegetais desprendidos das margens do Nilo que, com o toque mágico de suas mãos mestiças de menina Mubarack, uma típica e lânguida egípcia, fazia-se revivida numa Cleópatra menina.
Foi essa loira Vestal, deusa na sua essência, repentinamente arrebatada pelas correntezas que a levaram para a eternidade do delta.
E, junto com os seus sonhos, foi descansar na paz dos deuses e na harmonia celestial de Amon e Rá.

Ah! Minha querida e distante Sarah.
Teus quinze anos de linda e doce dinastia.
Foram sonhos da nossa juventude de agonias.
Como caravana dispersa no deserto que fugia.
Da sede, da morte, da areia que resplandecia.
Minha crespa, loira vestal de Amon e de Rá.
Eras uma miragem que ao longe eu via.
No sonhado oásis dos teus olhos de alegria.
Fui um louco ocidental só pra te amar.
Amor de dança.
A dança do teu ventre.
Em sombras de pirâmides.
Nos pórticos dos palácios.
Nas margens revoltas do Nilo.
Nas trilhas volúveis de areia.
Varadouros dos teus ancestrais.
A tua adolescência que a morte levou,
Numa dança estúpida de redemoinhos.
Ainda vejo o teu lindo corpo que baila menina.
Com o último grito que silenciou de mansinho.
Também morreram os meus sonhos e desejos.
Agora, eles jazem na tua súbita imobilidade.
Lembras quando ávida me tinhas?
Tu eras uma menina doce e atrevida.
Despertavas em mim o vulcão da vida.
Ah! Se não fossem os teus anos tão poucos.
Seríamos felizes como dois nômades loucos.
Loucos de juventude feita só para amar.
Se aí, eu estivesse respirava-te no boca-a-boca.
Por que, minha querida, tu fostes morrer?
Agora, todo o amanhecer eu morro de saudades.
Longe, muito longe de ti sem poder te ver.
Amon, talvez me queira também na eternidade.
Agora, querida Sarah, teus quinze anos,
Não são mais aqueles quinze.
Os meus há muito lá se foram.
Hoje, são só velhos sentimentos doridos.
Metalizados nos meus cabelos prateados,
E na solidão de um sonho do passado.
Tu foste criança linda.
No fulgor da breve vida.
Sorria, sorria minha menina!
Curte agora a tua nova idade.
Suave loira amada e inocente.
A ti, pertence essa eternidade.
Quero-te sempre mais linda.
Sei que lá, eu vou um dia em breve chegar.
Cadê aquela minha juventude?
Está de pronto indo embora.
Já é arquejante e quase finda.
Fico só com a tua doce lembrança.
Lembrando e sempre querendo.
Meus anos agora são muitos.
Já estão quase morrendo.
Adeus Sarah! Até breve!

Eráclito Alírio







Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 20/11/2006
Reeditado em 03/05/2007
Código do texto: T296215
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Sobre o autor
Eráclito Alírio da silveira
Imaruí - Santa Catarina - Brasil, 74 anos
889 textos (135351 leituras)
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Eráclito Alírio da silveira