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Enquanto o sax toca qualquer coisa

Enquanto o sax toca qualquer coisa desconhecida nas pautas dissonantes de alguma música clássica onde os bemóis desencontram sustenidos sem pausas de acordes tristes é que me vejo revendo dias que não voltam e que só trazem alguma saudade doentia de não esquecer quem não existe. Ah se tivesse mãos de me prender num segredo único de sermos tudo o que        EU sonhei em tantas noites mal dormidas enquanto aviões pousavam em outros aeroportos mal iluminados que não os meus lençóis amarrotados tornando pele morena entre pernas que me perderia por dias sem água e sem ar de morrer à todo instante num dizer AMOR que me doma os sentidos que tento fugir nesses dias de tantas garoas molhando meus olhos. E lá se vão dois anos de espera na costura de coletes e tantas outras roupas que não queria vestir na TUA presença de sermos sempre corpos nus sem nomes e sem destinos diferentes e a campainha não toca sua chegada surpresa entre cartas e contas á pagar todos os meses. Hilst diria fantasmas em minha sombra e eu diria realidades inventadas nos glóbulos vermelhos que aquecem meus pés de correr mundo buscando o que não perdi. Nem mesmo os miados que pretendo jogar pela janela me deixam sentir que comando qualquer respiração e tudo revira nos cacos de vidro que varri para longe do meu aquário de versos tão pobres sem palavras complicadas de dizer o que realmente não dizem enquanto te procuro numa mecha dos meus cabelos já não tão loiros como nos dias de tuas palavras doces e VOCÊ sorrindo minha criancice  de brincar com bonecas invisíveis e casinhas de chocolate amargo esperando o parque reabrir meu sorriso com a tua vinda em silêncio como surpresa que se espera. E nunca chega.
Paula Cury
Enviado por Paula Cury em 01/07/2005
Código do texto: T29712

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Sobre a autora
Paula Cury
São Paulo - São Paulo - Brasil, 47 anos
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Paula Cury