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E. T. AZUL - UM SONHO

E.T. AZUL – UM SONHO.



Érika a dançarina.



Dançavas suavemente em movimentos precisos, como se fosse de pulsos eletrônicos tão rítmicos que, a melodia cadenciava gostosamente no teu corpo, era um verdadeiro bailado de desejos escondidos e rubros de indefesos frenesis.
Naquele momento a tua graça de adorável robozinha humana, era povoada de convulsões eletrizantes de bailarina solitária e sensual.
Sentia-me tragado pelas ondas azuis da tua carne suada em frenéticas desenvolturas, e pelos teus olhos de corça a ser caçada.
Tinhas a beleza do fogo brando e a mansidão da gaivota-menina.
Adejando com asas aos ventos, planando suavemente em plumas de desejos sobre as ondas em perfeita harmonia com o teu corpo e a tua alma.
Levitavas com o eu próprio corpo, um oceano sensual aonde eu me naufragava nos insondáveis mistérios de ti, materializando-se em mim, uma doce paixão envolvendo-me no canto perdível de uma sereia dançarina.
Teu carisma era um mistério imponderável e, entre o carisma e o mistério, travava-se um embate de relâmpagos fogosos, num atrito luminescente de beleza, amor, sexo e desejos.
Jaziam em teus olhos rajados dois poços silvestres de águas cristalinas.
Um esconderijo sagrado das tuas emoções liquefeitas em lágrimas.
A tua defesa sobrenatural, chispando em minha direção ondas de luz refletidas, ferindo-me profundamente.
As centelhas que irradiavam, eram verdadeiros feixes eletrônicos da conquista tirânica dos teus olhos bons.
Eram crespos os teus cabelos já mesclados com esparsos fios de prata, querendo imitar aos meus, há muito metalizado em argente estanho quente.
E, no conúbio de olhares trocados, as tuas faces adquiriam uns halos suaves de silvestre romã, maquiando-te lubricamente de rubro amor.
Teu sorriso descontraído era possuído de uma malícia vertente em teus lábios, surgidos entre duas meias-luas de carne viva, fronteiras intransponíveis e cobiçadas do paraíso encantado das tuas faces acaju.
E assim, cheguei a te querer e senti que poderia te amar, mas entre o querer e o amar, fico com o querer, pois para te amar é preciso conseguir a leveza do meu fardo de sofrimentos, para não transferir para ti os meus desenganos e amarguras.
No meu caminho tortuoso e cheio de espinhos, muitas vezes tenho te encontrado, mas ouvindo o silencioso murmúrio que se fez no meu coração, não desejei conhecer-te melhor.
No entanto, naquela noite e em sonho, mergulhado na meditação e na escuridão de mim mesmo, eu te vi entre as estrelas que cintilavam na abóbada escura.
E tu me acenavas com o teu brilho intermitente de fulgor estelar, procurando-me semi-aflita.
E.T. Azul de olhos místicos e pretos, produto da criação fantástica dos meus sonhos, tu serás sempre uma estrela a brilhar.
E eu continuarei a ser para ti o planeta Júpiter, inacessível numa órbita milenar, acautelando-me sideralmente.
Corrigindo de vez em quando a minha rota espacial para, estar sempre com os meus sensores ligados e apontados para ti.
Será mesmo assim, minha estrela errante, para que eu não me envaideça com os descuidos humanos e afoitamente venha a provocar um choque sideral, transformando essa gostosa sensação, numa fugaz e doce ilusão.
Júpiter sempre te irradiará e tu iluminarás para sempre o silêncio do Cosmo, rumo à eternidade, o nosso irrecusável destino.

Eráclito Alírio






Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 23/11/2006
Código do texto: T298916
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Sobre o autor
Eráclito Alírio da silveira
Imaruí - Santa Catarina - Brasil, 74 anos
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Eráclito Alírio da silveira