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ALGUMAS COISAS DE MIM - II

Retomo, ainda, à parte preambular, a fim de bem cumprir com o objetivo pretendido. E também para minudenciar este auto-retrato.

Salientando desde já que minhas memórias, às chamarei, apenas de lembranças. Visto que Memórias dar margem a interpretações equivocadas, em virtude desse feito normalmente passar às pessoas notáveis, que por suas grandiosas posições, empenhos e vida destacável; em cumprimento às regras sentem-se na obrigação ou necessidade de deixar, registrado, à posteridade os seus atos heróicos, o que não é o caso. Tão pouco eu gostaria de levar ao engodo aqueles que gentilmente dedicar alguns instantes à leitura do que estou a deixar para meus entes mais queridos, mencionado-os aqui e ali, pela devida e evidente condição de serem parte de mim.

Por mais que seja notório, os relatos da ciência admitindo a vida emocional e as experiências pré-natais do feto humano a bem de toda verdade eu de nada lembro para deixar de fato à minha posteridade referente a esse estágio. E nada, em absoluto, me recordo da paisagem a caminho da vida. Alguns detalhes dessa época me foram contados, com essas informações e algumas passagens vivenciadas é que irei compondo, digo contando, como tem sido minha trajetória.

Nasci aos vinte e um de junho de mil novecentos sessenta e cinco – sou por assim dizer uma personagem do século XX. Por incrível que lhes pareça andei pesquisando que fato relevante, além, claro, do meu nascimento teria ocorrido naquele 21 de junho de 1965 – Pesquisando o ano 1965 foram encontradas 653 ocorrências do total de 107.536 datas, inacreditável, achei nesse mundaréu apenas um registro – A estréia da peça “Toda Nudez Será Castigada” de Nelson Rodrigues. Quem sabe, talvez, uma profecia à minha própria existência... Vai saber...!!! No entanto o que sei, pois me contaram, é que nasci envolta no cordão umbilical não só por uma volta, mas por três, literalmente vim ao mundo com a corda no pescoço desde daquela época. Por Deus, que sorte a minha! Que chorei ao nascer, obviamente sob calorosas palmadas as primeiras de uma seqüência, quase interminável, se alastrando na minha infância e se arrastou até às portas de minha mocidade. Chorar era minha especialidade quando menina, diz minha mãe que não podiam nem olhar para mim que de imediato eu caia em choro, com efeito, até hoje sou muito chorona – as lágrimas me caem facilmente, às vezes sinto até vergonha de não saber segurar a emoção e ou o nó que não raro se forma na garganta sob a iminência de se transformar em pranto – Para minhas lágrimas tenho algumas composições em forma de poesias, tentativas de fazer se amenize essa tendência à emotividade.

Nasci de pais simples, trabalhadores e honestos (iguais a grande maioria dos pais brasileiros) – tanto que nos últimos tempos vêm sendo desrespeitados num sistema que já não observa valores tais como moralidade e respeito ao próximo, porque à medida que o ter aumenta vai se diminuindo o ser.

Fui a primeira filha de uma série de cinco filhos. Meu nascimento se deu em casa, de parto normal e assistido por parteira, a qual fui ensinada a chamar de mãe; Mãe-vilina, assim eu a chamava, lembro-me que gostava de correr ao seu encontro para lhe pedir a bênção, residia essa senhora já com idade bastante avançada na cidadezinha onde nasci e onde na época moravam meus avós maternos. Para lá íamos, meus pais e família, muito freqüentemente. Sendo que o fato de correr ao encontro da parteira ocorria quando lá, na casa de meus avós, eu me encontrava de visita - Tantas quantas fossem as vezes que ela passasse em frente a casa dos meus avós eu corria e repetia sempre a mesma frase - bença Mãe-vilina,  mão estendida, para receber um "Que Deus te abençoe" – acredito que eu tinha mais ou menos de três a quatro anos de idade. Por um lapso de tempo e memória, não sei o que aconteceu a Mãe-vilina, mas, que Deus a tenha em bom lugar, especialmente, pelos seus préstimos de ajudar a vida a si mostrar ao mundo.  Tudo o que lembro é desse meu comportamento em relação a ela.

Sou a primeira filha do casal Clovis e Rita, sou a primeira neta de ambas as famílias daí o fato de ser tão querida, adoro falar que sou querida. Sentir-se amado é uma coisa tão gratificante e que estimula a amar e declarar esse amor ao outro.  Dos meus avós paternos ainda se encontra junto à gente, materialmente falando, minha vó Tereza – para quem não sabe ela é cliente vip das companhias aéreas promocionais do Brasil, depois que descobriu que para que serve avião, embora com parca aposentadoria vive voando – um dia desses vai findar igual a um passarinho (brincadeirinha...). Espero de verdade que esse apartamento demore bastante.  Passei minha infância e adolescência sem ver e sem ter noticias do anjo da morte ceifando meus familiares. Porém meu filho mais velho e sobrinhos não tiveram a mesma sorte a bem pouco nos apartamos de vários entes, desde os mais vividos aos mais jovens como o meu primo Chiquinho que nos deixou o ano passado (2005). Bom isso é uma realidade triste, que merece, com todo o meu respeito, a essas pessoas, apenas esse breve comentário sem muita ênfase, porque existe muito coisa boa e alegre para eu comentar, inclusive, referente a elas...

Do meu vô Zeca, que foi um dos primeiros a partir para a Cidade dos Pés Juntos Capital Mão Nos Peitos (frase aprendida com meu tio Jorge Ciron (alguém que dedicarei alguns trechos aqui, mais adiante. Esse foi o segundo a seguir o mesmo caminho do meu vô (a irreverência deve-se ao modo livre e divertido, entretanto respeitando situações e pessoas, como fui criada) Esse meu vô era o artista da família. É, pasmem!!! Ele era trombonista, isso não é para qualquer um não senhor, e logo da trombonista da banda oficial da cidade onde se vive - é coisa chique, melhor dito é ser importante. Também era ele contador exímo de histórias que me deliciava ao ouvi-las, dessa fonte deriva o talento do meu pai para contar e reinventar histórias e, por suposto, com certo grau de aumento no que toca as inverdades, é muito divertida a maneira como meu pai relata um caso ou um causo, tem que se ficar atento ou ter minha mãe por perto para se distinguir o real da fantasia quando ele começa a contar das suas. Se ela, minha mãe, está pertinho ele fica meio inibido, mas por força do ha
hábito se deixa levar, e de quando em vez soa, como se fora campainha, alertando-o para a façanha exagerada um sonoro e exclamativo CLOVIS...!!! O mesmo não acontecia ao o Din-Din, assim chamávamos meu vô Zeca. Vó Tereza sempre interferia a seu favor incrementando suas narrações via-se que tendia para uma exageração, mas, não se ligava muito para esse detalhe, o que importava, era as boas e gostosas gargalhadas ou a tensão experimentada de acordo com a narrativa. Além da apreciável maneira como cada um deles incorporava os personagens que criavam, dentro de cada modificação, cada vez que contavam a mesma historia vinha de modo diferente e acrescida de detalhes, visto que ambos ficavam entusiasmados com o interesse da platéia meu irmão, minha prima, alguns vizinhos e eu. Queriam a todo custo nos agradar...

Até breve.





Cláudia Célia Lima do Nascimento
Enviado por Cláudia Célia Lima do Nascimento em 23/11/2006
Reeditado em 24/11/2006
Código do texto: T299263

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Sobre a autora
Cláudia Célia Lima do Nascimento
Luziânia - Goiás - Brasil, 51 anos
476 textos (16061 leituras)
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Cláudia Célia Lima do Nascimento