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MEA CULPA

MEA CULPA

(Tia Fú)


É inexprimível a culpa e a dor sentida por não tê-la contida junto a mim, na ocasião certa e necessária.
A ausência prolongada do seu sorriso eclipsou de pronto todo um envolvimento, poético e suave, que se assenhoreava bom e, de certa forma, ingênuo e inefável, que sofreu um ligeiro “Aporte”.

A culpa notadamente é toda minha, e eu sinceramente me arrependo por não fazê-la entender que, a sua permanência ao meu redor era de suma e vital importância. O seu afastamento súbito só me trouxe doídas saudades e, conseqüentemente, sérios arrependimentos.

Por onde ela andará?

Levando aquele sorriso bom e conquistador. Talvez distante e, assim, fico somente com a sua imagem fugidia e saudosa de pequena e branca mulher, uma verdadeira deusa alegre e vivente.
Vivo embriagado pela sua teimosa lembrança. A saudade e a culpa, insistentemente juntam ao mesmo tempo os seus lamentos tristes.


Ela, por certo, está longe, e essa dura distância traz-me uma ansiedade de procura. Meu coração quebrado a procura, meus olhos cansados a procuram e, no entanto, resta-me tão somente a sombra fria de uma névoa impalpável devorando-me por dentro nesta manhã de inverno.

Andam os dias sempre iguais a me perseguirem com a lembrança dela, mas tudo é em vão, somente o atracar da noite me encontra neste quarto frio, rodeando-me com as coisas quietas que não me dizem nada.

Ah, se eu soubesse por um momento o seu paradeiro, não hesitaria um só instante para fazer-me presente e, desfazer de uma vez por todas, essa dor teimosa perseguindo-me como mariposa de verão perdida dentro da noite.

Por isso, devo escrever estes versos tristes, pois ainda a pouco estive com ela e, para espanto meu, não pude contê-la por um só instante. Ela era como uma estrela cintilante, orbitando seu astro rei, agora se movendo sem sentido numa fuga sideral sem órbita.

Talvez a queira, mas não sei se também ela me quer, eu vivo seduzido pelo seu olhar preto e profundo. Sei que a quero e ela não me diz o mesmo. Fico assim na dúvida, vivendo essa platônica sedução, sobrando-me apenas a sombra fugaz do seu inebriante sorriso.

Ah, o seu olhar inquieto e falsamente um pouco estrábico, era a magnitude desse olhar que tanto eu queria. E, por um deslize impróprio a perdi, sem ao menos nos despedirmos com aquele seu sorriso particular, como se fosse um cumprimento extensivo de todo o seu corpo em gostosa ebulição, provocado pela sua maturidade jovem e lúbrica.

Santo sorriso era aquele, uma manifestação da indizível simpatia, crepusculando com o seu encanto o meu olhar triste e suave. A sua performance é uma exposição angelical, irradiando em suas faces de madura mulher desejos ocultos.

Sei que a quero, isto é o que eu sinto, gostaria também que ela soubesse, e assim, pudéssemos comungar a quatro lábios a inominável sinfonia do amor.

Eráclito Alírio




Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 24/11/2006
Código do texto: T299851
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Sobre o autor
Eráclito Alírio da silveira
Imaruí - Santa Catarina - Brasil, 74 anos
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Eráclito Alírio da silveira