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ÁGUA MORNA, RASA E CALMA

O fato era que tinha medo, isso me deixava altamente pessimista, com medo só pode dar tudo errado. Andava de olhos baixos pensativo,com os ouvidos abertos escutando todas as falas e até pensamentos, mas sempre “pelo-não-dar-certo”.
Aquilo tudo haveria de passar, fiz até um profundo estudo “astro-lógico” e me fora revelado: “coisas de signo” portanto passageiras o que não se configurava uma ameaça, além do mais, naqueles dias, meu coração emergia límpido da correnteza e o canto dos pássaros engaiolados soava livre, sem limites.
Havia muita coisa boa e por senti-las assim atropeladas, soavam desordenadas, e a confusão que isso criava me fazia acreditar mais do que nunca que não poderia acontecer em um dia que viesse desenhado entre o pôr-do-sol e o luar, entre a realidade e o sonho, um entreposto ansioso e certo do que precisava fazer.
Ora! O teu regaço é tudo o que eu decidira viver, água morna rasa e calma, o resto eram correntes impetuosas suores e penitências. Pronto disse-o! Precisava desabafar, não tenho mais segredos, pode crer era tudo que eu queria dizer, você é o meu regaço água morna rasa e calma.
Movimentos delicados e precisos escorriam pelos olhos abertos, com muita luz, podia senti-los como quem acaba de cometer um grande erro, sem retorno, carregado de culpas e exageros, tudo era assustadoramente maior do que poderia suportar, maior que as artimanhas do seu corpo abrindo e fechando nas noites escuras e silenciosas, minhas companheiras, hora em que o amor era praticado contando estrelas, e depois brincando, pegava-as para pratear os seus cabelos.
Sabíamos que havia muito mais que isso, por ora, deixaria todos os conceitos morais e as conversas lá para bem longe do fim, onde as coisas precisam se acertar já que agora, somos dados ao desfrute, avessos às explicações desnecessárias.
Um novo dia surgia sem marcas mas, as conseqüências eram sentidas, sem palavras... Abstratamente. A eternidade era um tempo possível e mais forte que todas as esperanças. Algo estava vivo dentro de mim. Era feliz!


Lázaro Ferreira
Enviado por Lázaro Ferreira em 25/11/2006
Reeditado em 13/12/2008
Código do texto: T300650
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Lázaro Ferreira
Salvador - Bahia - Brasil
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Lázaro Ferreira