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TRANSITIVO SONHO

TRANSITIVO SONHO


Devo escrever os versos mais tristes esta noite. Escrever, por exemplo: A noite está estrelada e o silêncio escuta os astros à distância.

O vento desta noite geme e uiva ao redor da torre dos meus sonhos.
Por isso, devo escrever os versos mais tristes esta noite.

Eu a quis e, por vezes, parece que ela também me quis.
Espero, em vão, um telefonema dela para rasgar esta tristeza e esse silêncio abafado.

Em noites como esta, eu a apertei em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob este mesmo silêncio, embaixo deste mesmo céu, num sonho que só foi um súbito devaneio.

Ela me quis e eu também a queria.

Como amei seus grandes olhos fixos e mansos.

Eu sou assim mesmo triste, pois há pouco vim dos seus braços navegando em um sonho pleno de frenesi.
Pensar que fiquei sozinho num Domingo, ouvindo a noite imensa mais profunda sem ela.

São noves horas (2l, 00 h), por onde andará a leveza do sorriso dela?
Será que ainda seremos os mesmos como antes tínhamos sido?

Sei que a quero, não sei se ela me quis sempre – talvez me queira.
Eu não tenho paciência, a quero e pronto.

Cai-me o verso na alma como o sereno sobre as gramíneas do meu jardim.
Que importa se não pôde o meu amor retê-la no Domingo!

A noite está maravilhosa, olfateio-a de longe, e ela permanece distante e exilada dos meus sonhos.
Isso é tudo, à distância alguém canta uma canção que foge com o vento, e a minh’alma se exaspera por estar só.
Será que ela, um dia, será de outro assim como dizem as cartas?

Mesmo como antes de meus beijos em transitivos amores?

A sua voz é líquida e o seu corpo é claro; os seus olhos são infinitos. Verdadeiros poços perdidos profundos e negros.
Sei que a quero e ela não me diz o mesmo, mas, em contrapartida ela me entrega o seu corpo santo bem como os seus sorrisos leves, brancos e lindos.

Em noites como esta, transita por mim uma saudade amarga, e a minh’alma amanhece úmida.
Seu sorriso é bom, ruim é esquecê-lo.

O amor é fugaz, mas longo é o esquecimento.


Assim, eu vivo somente com as estrelas que, à distância, me expiam dentro desta noite vazia e fria.

Ah ia me esquecendo! Ela me trata de “Senhor”, e eu a trato de “Senhora”, tenho a impressão que estamos vivendo lances cuidadosos de uma Idade Média, vivida apenas no feudo de nossos corações.

Senhora, sonhar é acordar-se por dentro!



Eráclito Alírio

Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 25/11/2006
Código do texto: T300812
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Sobre o autor
Eráclito Alírio da silveira
Imaruí - Santa Catarina - Brasil, 74 anos
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Eráclito Alírio da silveira