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ANJO GABRIEL

ANJO GABRIEL.



Uma prosa anímica.



Foi inevitável, pois fiquei sabendo da tua chegada.
Eu sabia que virias, pois já se fazia tempo.
Que tal?
O que achaste da matéria?
Essa complexidade primitiva e vulgar.
Ah, eu sei que ainda estás no período de adaptação.
Lá do alto de onde viemos muitos dos nossos estão concentrando fluidos em ti, para propiciar-te uma aclimatação suave.
Lembras? Era aquela concentração energética que fazíamos quando um de nós reencarnava.
Tu sabes o porquê da tua reencarnação, assim como eu sei da minha, só que, a minha se processou há quase sessenta anos.
E tu sabes do porquê!
Agora, aos poucos vais esquecendo a tua existência na imponderabilidade.
São mais ou menos três meses, depois virá o esquecimento, a não ser alguns relâmpagos de lembranças que chamamos de “intuição”.
Esse é o primeiro passo para enveredares na trilha do carma.
Nós aqui dizemos carma, como se fosse um pecado cometido em vidas passadas, mas, na verdade, carma é a reciclagem do espírito numa volta à materialidade.
Estamos num planeta expiação, chamado pelos nossos mestres de “vale de lágrimas”.
Asseguro-te que não é tão ruim assim.
O meu carma tu sabes qual é, assim como,eu conheço o teu.
Lembras quando conversávamos sobre a nossa descida e toda a preparação que fazíamos?
Eu vim primeiro e tu achaste melhor fazer a tua descida através de mim.
Nunca nos largaremos.
A eternidade nos pertence, somos peregrinos do tempo e, daqui a pouco, eu parto, é chegada à hora do meu retorno, eu sei que voltarei. Como? Ainda não sei!
De lá do inescrutável vigiarei os teus passos, assim como sempre fazíamos com os irmãos que reencarnavam.
Ah! Eu queria te dizer que Luzbel já está comigo, veio através de mim também, de forma direta, aqui ela é a tua tia e resolvemos chamá-la de Joesa. É minha filha.
A Alessandra, aquele espírito que vivia numa colônia próxima a nossa, também já reencarnou, acho que ela era da colônia espiritual do teu pai e dos teus tios, aqui ela é a tua prima irmã e sobrinha de Joesa, a Luzbel.
Diz a minha intuição que Milena, Josafá e Hellius virão em seguida, só não sei através de quem.
Tenho a impressão de que Milena já veio, e tu sabes o quanto nós éramos apaixonados. Ela me disse em sonho que viria ou que já estava aqui, pois ela me falou que era tão real ou mais real do que eu mesmo. Assim sendo, somente bastaria reconhecê-la. Vou aguardá-la, por certo, dar-me-á um sinal.
Assim estamos nos reunindo de novo, essa é a roda de que tanto falávamos.
A tua simbiose espiritual foi a Milena que preparou, e como vês, estamos formando também uma colônia que aqui chamamos de família.
Eu vim e fiz o caminho, fazendo descer o teu pai, o Marco - Aurélio, a Márcia - Helena, o Heráclito, o Guilherme e por último, a Joesa, a nossa caríssima Luzbel.
Os primeiros não pertenciam a nossa colônia espiritual, não os conhecia, mas obedecendo a desígnios superiores, tudo se processou dessa forma um tanto obtuso para os humanos.
Tu sabes o quanto me custou isso, a minha vida emocional foi um desastre e ainda sinto seqüelas irremovíveis no meu espírito, mas cumpri a minha missão.
Com relação à Milena, tenho tido contato com ela através dos meus sonhos, continua linda e eu sei que ela ainda me ama.
Lógico, não podia ser de outra forma porque, o nosso amor é eterno.
Milena tem me ajudado muito, aliás, como sempre fez, ela me disse em sonhos que já havia se materializado para mim e eu não a reconheci.
Quanto ao meu processo cármico tu acompanhaste, e sabes que não me dei bem com um sentimento humano que aqui eles chamam de amor.
Toma cuidado com esse amor, pois não é igual ao nosso na colônia espiritual, porque aqui, ele é mais carnal e fugaz do que anímico.
Gabriel: Tu sabes que foi o teu irmão carnal que escolheu o teu nome, aliás, o mesmo que tu tinhas no imponderável, o prestimoso “Anjo Gabriel”.
Lembras daquele espírito de luz inteligente, alegre e bonzinho que morava numa dimensão acima da nossa, e que, às vezes nos dava palestras esclarecedoras sobre a teorética da vida humana?
Agora ele chama Guilherme e é o teu irmão carnal, entretanto, continuamos irmãos em espírito.
E por falar em irmão, eu quero te dizer que aqui irás te deparar com várias religiões.
Religião é uma vontade do ser humano de se ligar ao seu criador.
Elas, as religiões, são de tendências várias, e existem pela necessidade de uma religação divina ou pelo medo do desconhecido.
Na verdade, são utópicas, reducionistas e de um teologismo blandicioso.
Umas são fanáticas.
São as religiões com uma teologia, mas sem uma filosofia.
Outras são dogmáticas e absolutas, pensam ter o monopólio de Deus.
Todas se dizem verdadeiras. O que não é verdade, pois lhes falta muita espiritualidade no que ensinam, enfim religião é coisa dos homens.
Não sei qual delas irás abraçar, isso não importa, seja qual for, só não te esqueças destas três premissas:
a) Ama de todo o teu coração o teu Deus e Senhor.
b) Ama ao teu próximo como a ti mesmo.
c) Faz o bem, não importa como e nem a quem.
O resto, o Senhor acrescentar-te-á com opulência.
Eu sei que encontrarás muitas dificuldades com relação à espiritualidade, pois à medida que o homem se envolve com o progresso material, esquece o progresso espiritual.
Tu sabes que a matéria aprisiona e embota o espírito, agora tu já estás sofrendo esse processo.
Esse embotamento é necessário, senão não teria valor algum (mérito), ao que venhamos fazer aqui neste vale de lágrimas, por isso esquecemos as nossas vidas passadas e temos de nos deparar com a nossa espiritualidade, mesmo imerso nessa matéria.
Esse é o processo da reciclagem para que possamos, um dia, retornar à imponderabilidade, um pouco mais evoluídos.
É a nossa tendência de evoluir sempre, em busca da nossa origem anímica.
Se me houver tempo em vida aqui, e se eu puder alcançar a tua idade da compreensão, muito haveremos de conversar a respeito, assim como fazíamos em tempos passados. Em vidas passadas que nos foram obscurecidas pela reciclagem cármica, mas que dela guardamos uma intuição natural e forte.
Tudo ou quase tudo não entendemos, somos matéria racional é verdade, mas com limites já predeterminados.
A inescrutabilidade não é território nosso, porém um dia tudo nos será esclarecido, o espírito não retrograda, ele evolui sempre tendendo a sua origem metafísica.
Aqui eu sou o teu avô, viu no que deu a nossa amizade de tantos séculos?
Acabamos de nos encontrar novamente no túnel inexorável do tempo.


Em tempo: O original desta prosa foi escrito na cor verde.
Lembras de quando em visita aos nossos irmãos reencarnados, nós passeávamos pelos bosques e pelos jardins, quando tu me dizias que o verde estava muito ligado ao teu passado, por isso, escrevi com a tua cor preferida?

Do Vô poeta

Eráclito Alírio















Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 28/11/2006
Reeditado em 28/11/2006
Código do texto: T303685
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Sobre o autor
Eráclito Alírio da silveira
Imaruí - Santa Catarina - Brasil, 74 anos
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Eráclito Alírio da silveira