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CORPOS PARTIDOS

CORPOS PARTIDOS.



I- O meu amor é o mais revolto e inconseqüente, o mais manso e ávido. Oh! Como é curto o amor e longo é o esquecimento. (Pablo Neruda).
II- Sinto-me só e abandonado como o cais na madrugada. E o transitado em julgado foi vociferado em minha vida, através da boca infernal da Meritíssima Juíza.
III- Propalada foi, o que era já não é mais, carimbos e rubricas assassinaram um amor curto e verdadeiro. Sepultando-o em frios arquivos da lei.
IV- Repartiu-se tudo. O pão, os bens, a vida, a filha. Frígido comportamento legal. Será que a lei não entende de amor?
V- O tribunal dos homens é uma corte pífia, colhem os papéis a as assinaturas, cumplicia-se testemunhos e semeiam a distância. Legal? Legal seria a impossibilidade da ruptura.
VI- Separam-se corpos, bens e descendentes, eis o afã na Catedral da Justiça, nela rosna a frieza e destroçam privacidades, cancelando amores outrora comungados.
VII- Existirá um amor sem lei e sem documentos? Sim existe! É o anseio e o rosnar comungados na primitiva caverna entre hominídeos, não HOMENS.
VIII- Para que serve o ato medíocre do escrivão e a sentença fria da Juíza? Findo o amor, apenas restam as lágrimas no premido do silêncio e o soluço sufocante do desesperado.


Eráclito Alírio
Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 29/11/2006
Código do texto: T304463
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Sobre o autor
Eráclito Alírio da silveira
Imaruí - Santa Catarina - Brasil, 74 anos
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Eráclito Alírio da silveira