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QUESTIONAMENTO DO ABANDONADO

QUESTIONAMENTOS DO ABANDONADO.


Ó abandonado, como irás viver um sentimento que se diz verdadeiro e se manifesta à distância, devidamente revestido de impossibilidades?
Diga-me ó abandonado, se esse clima, um estado de consciência alterado não é tão somente um produto de uma carência afetiva, simuladamente envolvida por uma magia e um encantamento?
Ó abandonado, presta muito bem atenção: o afastamento e a distância são tônicos para o esquecimento!
O olvido é certo e gradual, até o ódio é esquecido.
Ó abandonado, o que dizer do amor longínquo?
Ser um porto solitário perdido na noite vazia, bebendo a solidão mais vazia ainda.
Ser um porto quieto em sua majestade, esperando o atracar da aurora há muito repetitiva.
Ó abandonado para ti sobraram as migalhas, como se tu fosses como os pássaros, desses que se vêem em praças públicas em arrulhos agonizantes, ciscando na floresta de cimento somente as sobras.
Ó abandonado, as tuas artérias sofrem premidas ao teu corpo, sistematicamente alimentadas por um coração quebrado, descompassado, palpitando apenas um anseio, quase o nada.
A vacuidade não provoca sonhos. O vazio é penetrante e a noite se avizinha como a última companheira despida de sonhos.
Por que, ò abandonado, existem amores como esses repentinos e longínquos, sem sombra de realidade, apenas sonhos platônicos impossíveis?
Diga-me, ó abandonado, por que o lamento?
Lembra-te que ela é também uma abandonada. É assim mesmo, ó abandonado, queiram-se num amor abandonado e nada mais.
Eráclito Alírio







Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 02/12/2006
Código do texto: T307406
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Sobre o autor
Eráclito Alírio da silveira
Imaruí - Santa Catarina - Brasil, 75 anos
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Eráclito Alírio da silveira