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Hoje acordei no horário de acordar os olhos

Hoje acordei no horário de acordar os olhos. Bem bom seria ainda dormir mais alguns dias. É. Seria bom, mas a janela abre sozinha e o vento congela meus pés e as meias estão na gaveta. Enfim acordei e me fiz guindaste para levantar a cabeça e revolver os pensamentos do dia anterior que em absoluto me fizeram mover os dentes. Busquei acertar algumas pedras no caminho certo. Algumas ficaram bem colocadas, perfeitamente assimetricamente justas. Outras ainda  fizeram grandes vãos onde caberia uma língua inteira e mais três dentes. Coloquei um pouco de espuma para saber onde não pisar enquanto minhas pernas bamboleiam um certo descontrole que mal sei se lavo ou se passo alguma roupa. Na verdade é como subir uma escada sem degraus. Por mais que as placas indiquem o caminho nem sempre parece que o caminho é o mesmo das placas e vice-versa e só meia circunferência já me deixa tonta demais e larguei a outra sobre o microondas para mais tarde quando o relógio marcar horas de acalmar palpitações. E ainda há um vento revoltado do outro lado da janela e quem sabe me leve para um planeta cor de abóbora com canela em pau e algum cravo vermelho de colocar na lapela do príncipe desencantado que sempre erra meu endereço.  Agora. Ainda de olhos abertos mas com os dedos meio moles de erra teclas que já escrevi uma dúzia de vezes e tudo sai um tanto confuso não só dos olhos mas também da cabeça e já tentei rir umas quatro cinco vezes e a boca não se mexe. Por vezes o espelho confabula suas bordas minhas olheiras de estar um tanto perdida quando mais deveria ter me encontrado e eu cuspo alguma pasta de dente para ver se alguma idéia idiota se me escapa da cabeça e eu continuo errando as letras. Ah, e outra coisa. Já não sei se fazer versos de três linhas é assim tão interessante quanto escrever mil e uma paginas de estórias para criança dormir depois da janta e lá vou eu tentar inventar outra criatura que passe folhas e folhas buscando alguma alegria  ou sentido que em mim já não cabem. E talvez um pouco de loucura ajude a correr as ruas sem faróis ou tomar sedativos para abrir os olhos quando o mundo acorda e eu ainda quero dormir mais doze horas. E enfim é  ainda o começo do quase fim e já estou atrasada para ir onde nem sempre me esperam  de boa vontade, mas como dizem: tem coisas que são inevitáveis. Então....
Paula Cury
Enviado por Paula Cury em 17/07/2005
Código do texto: T35028

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Sobre a autora
Paula Cury
São Paulo - São Paulo - Brasil, 47 anos
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Paula Cury