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Por onde anda a Inocência?

Por onde anda a inocência?
Sei que ela existe, ou pelo menos existiu. Nem faz tanto tempo assim que a perdi. Não sei muito bem ao certo se morreu ou se partiu. Lembro que a encontrava nos olhares das crianças que viviam, pensavam, brincavam e sonhavam como crianças. Nas brincadeiras de roda, pega-pega ou balança, no ouvir histórias pintando a vida com as cores da esperança, imaginando-se príncipes ou princesas no reino encantado do faz de conta que por sua conta fazia sonhar sonhos lindos de se contar. Hoje a criança já não sonha mais os seus sonhos infantis, querem ser adultas e trazem consigo idéias juvenis.

Os jovens também carregavam a inocência. Conseguiam se olhar e olhar a vida, livres da violência e da malícia que aporta em tantas fases da vida... O primeiro amor era antes de tudo inocente. Trazia a descoberta do beijo que fazia vibrar com o  efeito que causava na gente.  Havia a crença no amor "seja infinito” e não no "enquanto dure" , como nos canta o poeta em sua magnitude, pois os apaixonados puramente acreditavam, ser o amor  forte o suficiente para enfrentarem juntos a vida, que para além da eternidade se estenderia. Hoje, longe da inocência, assim como a criança, o jovem também se perdeu em descrenças. Já não sonha mais seus sonhos com tanta firmeza. Conscientes da chama que finda transformando o amor em cinzas, muitos se entregam ao lamento e a dor, esquecendo que o amor é flor que mesmo em morte, espalha sementes nas vidas dos fortes que buscam nele sua sorte. E o jovem amadurece tornando-se adulto.

Houve um tempo em que o adulto também trazia em si a inocência, pois acreditava com veemência que para ser feliz bastava a vivência. Não se importava com poderes desmedidos ou em ser pobre ou rico. O importante era o caráter e a honestidade. Caminhava sob a luz da verdade e confiava na justiça, que ao seu parecer, trazia a ordem como o sol trazia o dia.

E a inocência, sem medir esforços, lançava o seu brilho sobre todos os povos, crianças, adultos ou jovens dispostos; tinha seu ofício como um sacerdócio. Hoje olho para o mundo na figura de um menino procurando a inocência que se perdeu no caminho.
Aisha
Enviado por Aisha em 23/07/2005
Código do texto: T37064
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Sobre a autora
Aisha
Jundiaí - São Paulo - Brasil, 50 anos
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