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A Poesia Solar de Fernando Pessoa

Num meio-dia qualquer, é possível vislumbrar a poesia solar de Fernando Pessoa na voz de Alberto Caieiro, seu mestre. Deseja-nos sol e vida. Ao meio-dia, com a vida a pino, verticalizamos nossas perspectivas humanas.

Que tenhamos em nossas casas uma cadeira predileta ao pé de uma janela aberta. Poesia e sol! Pela janela aberta é possível a entrada dos raios solares; e se fecha os olhos, “começa a não saber o que é o sol” porque se é, na verdade, do tamanho do que se é capaz de ver; não fechar a janela e não fechar os olhos para que a luz possa penetrar.

Quando a criança eterna de Caieiro desistiu do céu, fugiu para o sol e depois “desceu pelo primeiro raio que apanhou”. A criança veio com um raio de sol. E seriam necessários uma janela e olhos bem abertos para vislumbrá-la, compreendê-la, para permitir que ela fosse o dedo apontando a direção do nosso olhar.

Na lição solar há muito o que pensar e muita metafísica. Não o pensar comum, rotineiro, mas o que traz soluções luminosas, visto que “se o poente é belo, é bela a noite que fica”. “Nisto é que se deve pensar quando se vai morrer; e estar alegre ao viver por saber que o sol existe, apesar de tudo quanto não se saiba.”

Quando Caieiro, o guardador de rebanhos, concluiu que “não há mistério no mundo” e “que tudo vale a pena”, Fernando Pessoa, seu discípulo confesso, completa: “tudo vale a pena se a alma não é pequena”; é a lógica do tamanho da alma e da capacidade de ver com a inteligência. Por isso, “a nossa única riqueza é ver”.

O sol ilumina o cenário do Guardador de Rebanhos do início ao final e é seu principal protagonista. Nem Pessoa, Caieiro, ou o leitor em sua cadeira predileta; mas o sol, sua luminosidade e energia, a vida e o conhecimento, o físico e o metafísico transfundidos na representação do divino para a inteligência e o coração humanos.

O poeta saúda-nos, deseja-nos sol e dá-nos sua poesia. Ao despedir-se de seus versos, do alto de sua janela, após concluir que passa e fica, como o Universo, deseja para si mesmo – e para sempre – um cenário como aquele: um dia cheio de sol!

Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
Nagib Anderáos Neto
Enviado por Nagib Anderáos Neto em 27/07/2005
Reeditado em 13/06/2011
Código do texto: T38211

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Sobre o autor
Nagib Anderáos Neto
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Nagib Anderáos Neto