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O Ato de Escrever

Quando meus pensamentos tomam meu corpo, eu escrevo.  Exorcizo assim as reações negativas e aprisiono as positivas.  Dessa forma, mantenho-me lúcida.  Consigo organizar as emoções, mesmo se chorar ou sofrer.
Continuo no exercício da escrita como se fosse o meu próprio elixir da vida.  Se me fosse negada essa possibilidade, aos poucos e num movimento de dentro para fora, perderia meu viço e minha força.
Escrever é tão vital quanto respirar.  Minha mão recebe as emoções, sensações e pensamentos que se lançam como vagas em mim, provocando um turbilhão em todos os meus sentidos.  Escrever evita que me afogue em meu maremoto interior.
Gostaria até de escrever no momento que antecede meu sono.  São tantas as frases que povoam meu raciocínio!  No dia seguinte, vagas lembranças desconexas percorrem minhas sinapses.  Quando me lanço a coordená-las, dificilmente o resultado é tão bom.  Procuro os estilhaços e com eles tento reconstruir a linha única que me trouxe o sono.  Não consigo a perfeição almejada.
Por vezes, uso o álcool.  Ele consegue transpor-me ao meu ser profundo e as palavras são tecidas numa ânsia tresloucada.  Entretanto, a bebida me leva a uma viagem tão profunda que me impede de evitar as lágrimas e, muitas vezes, o choro é compulsivo.
Devo confessar que essa viagem é vital para mim.  Eu preciso dessa dor tanto quanto preciso da alegria de viver.  São emoções antagônicas e complementares.  Coexistem em harmonia e me revigoram.
Outro elemento de minha busca pela transposição das emoções em palavras é a música.  Flutuo nas notas musicais e enxergo minha vida com clareza.
Se associo a música ao álcool, meu corpo inteiro responde e não mais escrevo.  São os movimentos de meus braços, minhas mãos, minha cabeça, meu tronco e quadril, minhas pernas e pés que traduzem o que sinto.  Não percebo o chão, flutuo.  Desconheço o peso de meu corpo, toda a minha massa se transforma em ser etéreo.  Não ouço nada além da música e limpo minha mente.
Gosto da vida assim, pungente e profunda, fluindo pelos meus nervos e sangue.
Cris Marco
Enviado por Cris Marco em 29/07/2005
Reeditado em 11/10/2011
Código do texto: T38766

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Sobre a autora
Cris Marco
Campinas - São Paulo - Brasil, 53 anos
86 textos (4402 leituras)
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Cris Marco