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TRANSLÚCIDA


lisieux

O olho castanho opaco, refletido no espelho do banheiro, foi a última coisa que viu. Depois, sumiu... desapareceu num mundo de faz-de-conta, avesso de tudo.
Custou a se dar conta disso, acostumada que estava a ser ignorada. Demorou a perceber que se tinha tornado definitivamente invisível.  Mulher de cristal através do qual os olhares passavam, indo se fixar em outro ponto.
Bem que tentou fazer-se notar. Tilintou em noites de gala; cristal da Boemia, refletiu o vermelho do vinho, borbulhou o champagne francês; serviu fresca água a lábios sedentos em muitas manhãs.  Também reverberou o brilho do sol em janelas, artísticos vitrais.
Nada adiantou: permaneceu invisível, transparente.
Um dia, deixou-se cair. Delicada peça, partiu-se em mil pedaços.
O companheiro ajuntou os cacos, apenas para não ferir os pés. Jogou os estilhaços pela janela dos fundos, no pequeno quintal...
E... lá ficou ela, refletindo a pálida luz distante das estrelas.

BH – 07.08.05

lisieux
Enviado por lisieux em 07/08/2005
Código do texto: T41082
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Sobre a autora
lisieux
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 61 anos
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3 e-livros (409 leituras)
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