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Outro cigarro aceso

Outro cigarro aceso e já nem sei o que esperar enquanto os ponteiros do relógio digital movimentam-se tão lentamente quanto o ar em meu peito. E todas as músicas voam meus ouvidos nessa busca de ir aonde jamais se chegou e encontrar o que me disseram existir num pote escondido por folhas e frutos. Será mesmo jóia ou apenas ouro de tolo como os que incrustam minha rua por tantos passos? Ainda acredito em estrelas cadentes que iluminem meus olhos através da janela fechada chamando meu nome enquanto as nuvens sapateiam algum jazz na voz da mulher negra a soltar todos os seus graves em piruetas da concha do mar levada pelas ondas num vai e vem que não para até o dia nascer quase branco de tanto sol. As bifurcações que encontro tantas e tantas vezes já me fizeram entender chegar ao mesmo lugar de onde saí e já escrevi de pés que correm e de olhos que buscam e nada além da fumaça do cigarro modifica sua forma... Fantasmas... Sim sempre fantasmas a me perseguir nos sonhos mal dormidos de cenas que se repetem cada vez mais enquanto mudam minhas letras sem que eu queira. E lá foram me transformar em tantas coisas ruins que envergonhariam carolas benzedeiras... Me vejo como monstro igual fantasma  dos fantasmas que me assombram e não me deixam acordar. Poucos minutos se passaram e ainda é longa a espera do desconhecido. Ainda que sonhe com olhos um tanto azuis ou verdes que já me confundem de tanto vermelho que vejo nas telas sem entender porque as coisas são tão diferentes do que a gente imagina. E mais quinze minutos é a minha espera enquanto os olhos já dizem dormir para querer sonhar o impossível na tranqüilidade dos lençóis divididos de mal se mexer para não incomodar quem revira os olhos enquanto espirra seus ais.  O tempo passa e nada acontece... Como sempre.
Paula Cury
Enviado por Paula Cury em 08/08/2005
Código do texto: T41184

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Sobre a autora
Paula Cury
São Paulo - São Paulo - Brasil, 47 anos
114 textos (8470 leituras)
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Paula Cury