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GUARDIÃ DA MINHA INSÔNIA

A solidão rasga a noite, devassa minha alma enlouquecida de saudades e se instala como guardiã da minha insônia.
Ouço a chuva caindo lá fora, chego à janela e, no vidro embaçado, escrevo teu nome dentro de um coração, que desenho.
Relãmpagos riscam o céu e em seguida um trovão retumba, distante.
Trevas... apenas trevas...
dentro e fora de mim.
Lembranças tantas
que chego a sentir meu corpo dolorido, uma inexplicável dor física que se irradia por cada fibra do meu ser, atormentado pelas saudades que deixaste como herança daquele amor que parecia
"para sempre"...
Na névoa inquietante onde agora vaga meu espírito, um som de vozes que gritam em uníssono, o teu nome; sombras agitadas se revolvem num bailado de fantasia, desenhando em meus pensamentos, os momentos de nós dois...
o ar frio trescala, de repente, o mesmo perfume que, um dia, exalou deste quarto ora tão solitário, o perfume de corpos suados, aromatizados pelo gozo que escorria como lava de dentro dos nossos corpos lascivos, permissivos,
ardentes de um desejo implacável que nos consumia em febre...
nos devorávamos como se quiséssemos fazer parte um do outro, uma fusão de nós dois...
E no frio silencioso e sepulcral desta noite silenciosa, meu corpo inteiro, cada célula, freme no desejo de ti, dos teus beijos de fogo que queimavam minha boca, incendiando cada
parte de mim, que suplicante, te agarrava, se enrolava em ti como uma serpente faminta... e me possuías com a loucura de um vulcão em chamas, saboreando e queimando minhas carnes tenras com tua língua incandescente...
E quando o crepúsculo se anunciava, tu partias, mas eu sabia que voltarias, como todas as noites, e só te irias com o Sol nascente, deixando - me deitada, ainda, adormecida, enlanguescida pela deliciosa noite de êxtases delirantes e uma bela rosa vermelha, em seu travesseiro...
até que um dia, já o Sol alto, invadindo nosso quarto, acordei e não estavas, como sempre, mas algo destoava, da rotina pois não estava, também, a bela rosa vermelha que me brindava os olhos, com sua beleza e que significava o teu perfumado
Bom dia....
Desde então, nunca mais voltastes...desde então, o nosso quarto feito de amor e prazer, transformou - se em meu túmulo, ainda em vida, porque sem ti, tudo, lá fora, perdeu o sentido de existir...
Arianne Evans
Enviado por Arianne Evans em 23/08/2005
Código do texto: T44550
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Sobre a autora
Arianne Evans
Curitiba - Paraná - Brasil, 66 anos
695 textos (57316 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 15:01)
Arianne Evans