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Trinta de Agosto


 
O coração ressente sua falta, recorre à lembrança na ilusão de matar a saudade que insiste em corroer sua energia. As emoções se agitam, provocando quase comoção.
  E sinto a fisgada que judia e dilacera, rasga o frágil manto de proteção expondo toda a dor ao mundo, deixando-a livre para doer e latejar sem cerimônia alguma, sem cessar! Não há como deter o pranto, que para meu espanto, jorra incontido depois de tanto custo o segurar.
O seu lugar vazio esvazia a alma, impõe com crueldade sua ausência definitiva. Aflitiva é a carência de você, e sem sentido é o desejo de saber por onde anda, o que conjectura na dimensão onde se encontra... Será que capta a tristeza de meu espírito que no momento queda fustigado pela luta que parece não ter fim?!
E assim, torturado, busca na memória ouvir a sua voz, sentir seu hálito quente ao beijar-me ao deitar... À noite, quando ainda estava conosco, era apenas o tempo para se descansar na segurança de seus cuidados, na certeza de sua presença amorosa. Acho que me deitava com um sorriso nos lábios, sabendo que pela manhã precisaria dele logo ao levantar, participando da rotina movimentada de nosso lar.
Tudo parecia ser perene, perfeito em sua imperfeição e tropeços. Onde estará agora, me pergunto, sem realmente me preocupar...
Anjos sempre habitam o céu... Não importa em que nuvem, em que espaço ou planeta, não saem de perto de Deus.
Dói-me a saudade, machuca sua ausência prolongada sem esperanças para mim. E eu, que julgava a vida cartesianamente, imaginando que tudo estaria sempre no mesmo lugar, deixo que as lágrimas deslizem lavando certamente meu olhar, que se perdeu nos confins da noite escura sem poder ao menos lhe buscar...
O sofrimento que me atormenta me força a resistir na esperança de merecer um dia encontrá-la.
Mãezinha, hoje o dia foi repleto de memórias e lembranças. Sinto tanta saudade de sentar-me em seu colo e lá permanecer sorrindo e contando as diabruras que apronto...
Mas hoje a casa esta vazia, e eu choro em silencio a falta de sua companhia, sabendo que não a terei ainda por um tempo que não se profetiza...
Mesmo sem saber ao certo se me ouve, sussurro no silencio da noite:
Feliz aniversário mãezinha...

 
 
 
Priscila de Loureiro Coelho
Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 31/08/2005
Código do texto: T46438
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
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Priscila de Loureiro Coelho