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ZUMBI COM ALMA

O silêncio denso que me envolve só é quebrado pelo cair dos pingos de uma chuva suave, refrescante, em meio ao calor sufocante que quase torna difícil respirar.
O ar está pesado, aqui dentro...pesado está também meu coração, mas eu não consigo mais chorar  para expressar toda a dor que ele sente... parece que o pranto secou sob os meus olhos, após sulcar em trilhas profundas de tristeza, a minha alma, e sei, que onde quer que as estrelas estejam cintilando, sei que se comovem com os profundos suspiros que ela exala...
Estou só como jamais... a saudade corrói até o âmago  do meu ser, lacera minha mente em imagens  que tento não lembrar, mas que sei inesquecíveis... beijos que queimaram meus lábios, deixando marcas indeléveis... mãos que dedilharam meu corpo em melodias perfeitas, às quais as minhas corresponderam com a mesma sintonia...
Oro à morte... peço a paz, a liberdade de poder voar por sobre toda a dor e não ser atingida por ela, mas não sou ouvida... meu tempo ainda não chegou e tenho que cumprir o meu  destino...
só Deus sabe quando sorverei a última gota de fel do cálice que me foi dado beber... peço, então, forças e resignação para não sucumbir ao peso dessa cruz que tão  pesada me parece, mas tenho consciência  de que ela ao menos está entre as mais pesadas...
Um amor perdido...
o que significa  um amor perdido, entre tantas coisas que acontecem, tantas tragédias?
O que é que tem, se meu coração urra em silêncio a dor que ameaça destruí - lo?
O que é que tem se vivo num mausoléu, isolada do mundo, da vida, da realidade, iludindo - me que é assim que quero estar, é assim que quero viver, que não estou vegetando como uma morta viva, um zumbi com alma?
Mas que importa? Lá fora, como aqui, não encontro os braços de alguém que me abrace com amor, com carinho... lábios que  me digam quão importante  sou por existir em sua vida... ou apenas por existir...
Vegeto meu presente sem pensar que pode existir um futuro, porque sem o infinito amor da minha vida, isso seria impossível...
Arianne Evans
Enviado por Arianne Evans em 07/09/2005
Código do texto: T48486
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Sobre a autora
Arianne Evans
Curitiba - Paraná - Brasil, 66 anos
695 textos (57319 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 10:41)
Arianne Evans