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Madrugada



Caída ao relento
Perdida por aí
Algures no tempo
acompanhada do vento
alma penada
despida de tudo
vazia por dentro
esquecida por fora
mórbido momento
sórdida realidade
impune do pecado
rasgado de lágrimas
inerte
triste
vagueando
ali, aqui....
Fico parada na noite
Feito candeeiro da madrugada
Aliciada pelo nada
Enganada por este e aquele
Por mim e por ti
Coração em derrota
Barriga na fome
Morrendo de sede
Cabisbaixa
Pois esta é a vida que levamos
Feito animal, feito gente
Feito objecto, feito verbo
Alimento que não mata a fome
Sozinha nas ruas
Perdida no limiar da saudade
Entre o precipício e o destino
Pedras da calçada
Que me removo e demovo
Balançando anestesiada pelo amor hoje esquecido
Feito mulher, feito criança
Sem marcas
Sem rasto
Do que outrora fui
E no estado que hoje me deixaste!
Joana Sousa Freitas
Enviado por Joana Sousa Freitas em 09/09/2005
Código do texto: T48937
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Sobre a autora
Joana Sousa Freitas
Portugal, 40 anos
118 textos (7239 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 04:56)
Joana Sousa Freitas