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AS MARCAS DA VIDA

Estou sozinha e sem chao... nos meus olhos, um brilho febril
que incendeia de rubores, o meu rosto sulcado por quantas
lagrimas ardentes tenho derramado. Sou um corpo estranho
nesse mundo; nao ha lugar para mim... e como fosse um uma
tartaruga num ninho de aguias a beira de um precipicio.
Sinto - me oca. Sinto - me fria. Sinto - me rejeitada.
Sinto - me triste... triste de uma tristeza de tarde que morre, 
de folha seca que cai, de livro que acaba, de flor que fenece, 
de poema inacabado por falta de razoes...
...de amor que se vai para sempre...
Meus pensamentos percorrem distancias indiziveis, dao voltas nas curvas, sobem e descem montanhas, atravessam mares e desertos, cavalgam nas costas dos ventos, vao ao espaço devassar nuvens, dao a volta a Terra, provam de todo sabor, se embriagam de toda fragrancia... e nao me ajudam a descobrir - me, a encontrar - me nesse labirinto que sou, a abrir esse escrinio onde esta presa minha alma torturada pela tristeza, envolta num arbusto feito de espinhos que nunca lhe permite a paz que tanto busca... a paz da hora do Angelus, a paz do nascer da primeira estrela, a paz das madrugadas cristalizadas entre as trevas e a luz, aquele momento magico de transiçao em que
ja nao e mais noite e ainda nao e dia... e todos os aromas e cores 
assomam aos portais do novo dia, de repente... e eu vejo, e eu vivo... mas nao sinto...
apenas um dia a mais, como uma conta cinza desfiada no escuro
rosario dos dias que compoem a vida... solidao de campo santo, silencio
de catacumbas, peso de incognitas... existe um futuro, para mim?
Como pode, se por detras dos meus olhos nao existem brilhos de sonhos?
como pode, se meu peito e uma anfora que apenas carrega 
cinzas de desilusoes e sonhos calcinados pelas incompreensoes, pelas mentiras, pela falsidade e hipocrisia?
O espelho reflete as marcas da vida deixadas em meu rosto...
meus olhos tem um brilho triste, distante, como se buscassem
em algum lugar perdido no longinquo passado, aquela
jovem cheia de sonhos e esperanças... mas nao a encontra...
parece que jamais existiu uma jovem que sonhou, esperou, amou, fantasiou um grande amor, a felicidade, na mulher que o espelho reflete...
Como uma sombra perdida, vago ao leu... mortas esperanças,
mortos desejos de tudo... nem anseios nem paz... indiferença, agora... indiferença por mim, pelo que sou, pelo que me cerca...
pelo que vira... nada mais me importa... os sonhos se estilhaçaram...
Eu te perdi, e desta vez... para sempre...
Arianne Evans
Enviado por Arianne Evans em 16/10/2005
Código do texto: T60263
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Sobre a autora
Arianne Evans
Curitiba - Paraná - Brasil, 66 anos
695 textos (57303 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 08:00)
Arianne Evans