PORTA DE CASA

Chave fechadura

Abre logo porta dura

Empurra vai empurra

No silêncio da escuridão

Essa chave não gira não

E agora?

O relógio diz ser madrugada

E essa fechadura continua, assim, emperrada...

Já sei! Só pode ser isso

Devo ter um óleo na sacola do mercantil.

Estou sem meus óculos

Antes de sair pra tomar uma,

Esqueci no escritório do patrão

E nessa escuridão,

Procuro o óleo, sentado no chão

Achei! Finalmente achei!!!

Respingo nos espaços que avisto

Tudo parece estar rodando

Está tudo embaçado

Os meus olhos, cerrados, forçam pra abrir

E a escuridão me atrapalha

Chave gira? Não gira.

Empurro de novo a chave

Coberto de um suor salgado

Respiro fundo, amargurado

Espero sucesso em minha última tentativa

Não acredito!

Não moveu nem um centímetro

O coração acelerado

A tontura me possuindo

Meu corpo caindo, espatifado no chão.

Sinto falta de ar

Não posso respirar

Dou um grito abafado

E um menino parado, lá em cima

Da janela colorida, diz, olhando pra cá

Seu moço, bastava a maçaneta girar...

Era tarde demais, meu bom rapaz

Tão tarde que o tempo deixou de servir.

Isis do Vale
Enviado por Isis do Vale em 09/10/2017
Reeditado em 10/10/2017
Código do texto: T6138006
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