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O CENTAURO E A PISCIANA

Peixes, invadi os limites de teus mares e oceanos atraído pelo brilho do cardume de tuas estrelas.
Peixes, no mar de tua constelação, me deixei cair, e agora carinhos ganho de tuas estrelas. Mas nenhum deles é tão gostoso e desejável quanto a voz de uma delas.
Essa voz esteve comigo por toda minha jornada, acalentando o amor em meu coração, cada vez que permitia a  minh’alma ouvir:

- Despertei por ti, Centauro.
Vem ao meu encontro, pois sou tua.
Vem galopar em meu mar de desejos, e me deixa cavalgar em teu corpo.
Vem me desnudar, penetrar minhas fantasias, e me fazer escorrer de prazer nas tuas.

E eu só posso ouvi-la e sentir o desejo de seu amor por mim.

Oh, Netuno!
Entre tantas filhas tuas, que no mar desta constelação vivem, permita que minha pisciana brilhe como estrela que é, se fazendo mulher, me amando, se entregando, e me tomando como homem.

Netuno em seu trono permanecia calado e, curioso, a tudo observava.
Queria ver o ímpeto do sagitariano ser consumido em suas águas;
agradava-lhe sentir o centauro encantado por uma de suas filhas.

Concluindo ser chegada a hora de tudo esclarecer, surgiu sorrindo diante do centauro e disse:

- Teu elemento é o fogo, mas estás em meus domínios.
Poderia te fazer apagar agora, te deixando perdido em tua própria escuridão a vagar e buscar eternamente de forma vã.
Uma de minhas filhas porém clamou por ti, e contou-me sobre o encanto que une vocês dois.
Eu vim olhar em teu olhos, centauro;
vim ouvir teu coração;
vim vasculhar tua alma.
Era isso que eu fazia sentado em meu trono enquanto, calado, te observava.
Para lá volto agora, satisfeito com o que teus olhos me mostraram, teu coração me fez ouvir, e com o que em tua alma encontrei.

Então, às sereias ordenou nadar para os rochedos, e de lá cantar o encanto de nosso amor;
às estrelas do mar determinou subir aos céus dos oceanos e brilhar, tornando mais lindo o reflexo do luar nas superfícies;
às algas e aos corais mandou enfeitarem o local de nosso encontro.

Em seguida, obedecendo a um simples gesto dele, vários cavalos marinhos surgiram.

Ao notar meu espanto, Netuno sorriu e disse-me:

- Esses são os meus centauros.
Vê? Tenho filhos que não são tão diferente de você e seus irmãos.

Chamou-me para ao lado dele estar, colocou a mão em meu ombro, e falou-me com carinho:

- Você nunca foi um estranho entre nós, filho.
Seja bem vindo.
Estás em casa agora.

Dirigindo-se novamente aos cavalos marinhos, apontou  a direção que deveriam seguir e pediu:

- Vão agora buscá-la, e voltem formando uma linda escolta.

Pouco depois o mar se agitou formando espuma, talvez nuvens marinhas,  e delas você surgiu linda numa biga de conchas puxada por golfinhos, escoltada pelos “centauros” marinhos.

E, com as estrelas brilhando nos céus dos oceanos, e as sereias cantando nosso amor, você veio caminhando sobre um tapete formado pelas algas até o altar de corais onde eu te aguardava.

Teu sorriso se fez diante de mim;
nossas mãos se encontraram;
nossos corpos se uniram num beijo, e te ouvi dizer:

- Vem comigo.
Não precisas mais cavalgar outras trilhas que não sejam as do meu corpo.
E, de tuas flechas, apenas uma quero sempre me penetrando forte e fundo, dando-me o prazer de te sentir meu, inundando-me com teu amor.

Ao nosso redor todos os peixes nadavam, criando pequenas bolhas de ar, talvez grãos de arroz marinho, que nos envolviam, enquanto Netuno dizia:

- A imensidão de minhas águas nada é diante do amor que vejo escorrer nas lágrimas de alegria de vocês dois.
Que cada onda seja para vocês um sonho que se transforma em realidade.
Faz de minhas águas o teu bosque dos sonhos, centauro.
Corre por ele livre, ao lado de minha filha, vivendo a alegria de amar e ser amado.

E nós seguimos, pisciana.
Seguimos levados pelas ondas de nosso amor para a felicidade.

Balbueno
25/08/2007

Balbueno
Enviado por Balbueno em 28/08/2007
Reeditado em 28/08/2007
Código do texto: T627232
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Sobre o autor
Balbueno
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 57 anos
107 textos (2684 leituras)
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