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Terras da sombra

Aqui, onde penetra a sombra (e o vento, e o frescor), não há tristeza e lassidão, como muitos pensam. Aqui há a calmaria que é terna, suave, mas não há o tédio inercial de fora, aquele que envenena tantos espíritos inocentes, guiando-os por caminhos meramente imaginários numa colorida estrada de decadência. Os prazeres que aqui residem são crianças: pequenos e plenos; e toda alma se satisfaz resignada.

Devo contar que meu primeiro contato com essa terra foi por meio de uma aventura na qual procurei exaltar toda minha vontade: a aventura de um sonhador que busca o que lhe é íntimo, o que era seu mas lhe fora afastado e o que já lhe estaria, no fim das contas, designado; uma aventura por meio da qual se procura, sem saber, na verdade, a própria vontade em si. Nessa aventura, caminhei por muito solo e me cansei; parei por alguns instantes e continuei: até que por fim logrei encontrar uma das coisas que procurava. E me dei por satisfeito, pude compartilhar meu estado de alma com os amigos e me banhei alegremente nas cachoeiras de meu interior. Com isso, logo descobri mais coisas escondidas, embora — já disse — estivesse plenamente satisfeito. Todos os meus desejos supérfluos, a partir de então, eu afoguei.

Entretanto, nem tudo vai tão bem agora. Há um lado meu, uma pequena parte minha, que quer renunciar a tudo isso, e abandonar, em ingratidão, essa terra de sonhos e vagas realizações, apenas para dirigir-se de volta a uma existência absurda que tanto lhe seduz. Vejo com exatidão: há um lado meu que ainda ama o caos do mundo!... Justamente essa parte de mim eu não consigo afogar sem matar também a outra.
wsdafae
Enviado por wsdafae em 30/08/2007
Reeditado em 16/12/2007
Código do texto: T630171
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Sobre o autor
wsdafae
São Paulo - São Paulo - Brasil, 27 anos
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