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Estrada para a perdição.

(...) E, enfim, partimos. Arrisco dizer que estava apaixonado, talvez não por ela, mas sim pela sua independência, que era tudo o que eu precisava na minha vida, não precisar depender dos outros, e não precisar depender de mim, pois se eu for depender de mim...

Passamos por alguns lugares que me arrepiava todo o meu corpo, do primeiro fio de cabelo até a ponta do meu pé, lugares que não ouso descrever, lugares que não devo sequer me lembrar, lugares que, sozinho, seriam uma tortura, mas com ela, se tornaram dignos de minha atenção. Experimentei coisas que, quando vi, já era tarde demais. Mas não me arrependo disso, pois sei que ela apenas estava fazendo o melhor para o meu ser.

Já meio tonto, sem conseguir andar direito, talvez pelo excesso de vinho, ou de algo que não me vem à memória, procuro tentar me manter em pé. Stephanie, ou Steph, que é apenas o que consigo falar, me parece estar acostumada com tudo isto, e me ajuda a permanecer em pé. Porem, percebo um certo... Erotismo em seu olhar, ao perguntar se não quero ir para algum lugar mais reservado.

Qual foi minha resposta, isso não consigo lembrar. O que me lembro é que fui levado para algum lugar escuro, onde minha inocência foi tomada por direito, se é que havia alguma inocência em minha alma. Não, não me arrependo, pois era o que eu estava procurando. Não sei descrever o momento, me lembro apenas da escuridão, me mantive na escuridão, e aquele momento, me mostrou a solução, a luz.

Tal qual, desoladamente, perdido em meu amor, repito, talvez não por ela, mas sim pela sua independência, que me levou a essa minha decisão.

Como pude acreditar que era digno de tudo isto? Como pude acreditar que era digno do mundo? Como pude acreditar que era digno de suas caricias, de seus afetos? Pela morte de uma, levei-me pelo impulso de aproveitar-se de outra? Em um estado deplorável como o meu, pude acreditar que era digno, enfim, de descobrir todo este mundo...

Steph mostra-me a solução, mais uma vez, salvo por seus olhos azuis...

Sinto a lâmina afiada de uma adaga, que me foi oferecida, para acabar com meu sofrimento...

Sinto agora, apenas meu sangue quente, e peço perdão pelo meu ato deplorável. A única coisa que não me arrependo, é de ter sido eu, a pessoa que acabou com todo esse pecado carnal, que eu chamava de vida.

E olho em seus olhos azuis, uma ultima vez... Com minhas ultimas forças, peço perdão... E que esses olhos azuis me levem para onde eu mais quero ir...levem-me para as sombras, uma vez mais, para que eu possa olhar em teus olhos, uma ultima vez...”

- Chega de ler por hoje. É inútil me ater aos livros. A solução está aqui, em minhas mãos.

E Leirbag, segurando firme em sua espada, dada pelo pai em seu leito de morte, crava-a em seu peito...

- Leirbag! – ouve-se um grito distante, e passos apressados para tentar salvar o sucessor de Ael’Ithil.

- “Quem... por favor...” – Diz Leirbag, sentindo o sangue em seu peito – “Será melhor assim...”.

Mas, antes de perder a consciência, sente as mãos frias de sua amiga... Será esse o fim?

                                        Leirbag Beouve       8/5/07
Gabriel Prado
Enviado por Gabriel Prado em 06/09/2007
Código do texto: T640518
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Sobre o autor
Gabriel Prado
Santo André - São Paulo - Brasil, 26 anos
49 textos (2436 leituras)
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