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Sem Espaço

A cena era incrível: reinava em seu pedestal enferrujado aquela espinha de peixe de alumínio espelhado. Da janela do meu quarto, admirado, passava horas a observá-la. Como a quilha de um navio, ela rasgava o oceano atmosférico em busca das ondas invisíveis. Era pura liberdade. Suas sofisticadas concorrentes circunflexas, constantemente vitimadas pelas moscas orbitais e seus ícones viciosos, invejavam-na. Ela que ainda respirava os ares do cotidiano regionalista; a grande guerreira, ofensiva, intrépida, estática, ultrapassada, um morcego espinhudo! Aquela singular figura só temia o vento: varrida, dava voltas, às vezes alçava vôo; vibrava no vazio, virava veloz... E ali permanecia. Até que, no dia do jogo principal, sem chance: chovia o chato chuvisco cheio de chispas. Chinfrim! Então, a torcida torcia o poleiro. Está bom? Tá! E tudo voltava ao normal. Com seus pólos receptores, já tragava novamente as vagas hertzianas e cuspia em mim seu escarro televisivo.
Rafael Puertas
Enviado por Rafael Puertas em 09/09/2007
Código do texto: T645252
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Sobre o autor
Rafael Puertas
Mogi das Cruzes - São Paulo - Brasil, 37 anos
3 textos (44 leituras)
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Rafael Puertas