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EXISTO. PERSISTO.

Extensas faixas estabelecem fronteiras onde me deixo estar, cansado.Comigo, nada está, nada se eterniza a não ser os campos e os bosques, a sede de vida que nunca me deixa apesar do luto diário. Me pergunto, qual o caminho, afinal, qual a estrada que me levará sob escolta, em prados, campos que desejei? Em vista, sobra trapos e sentimentos reles de homem cortado ao meio, desnecessário e incandescente. Despreparado para o tempo, secretamente abatido por galerias onde retratos de outrora estão expostos, ainda espero, meio que apaixonado por balaústres pintados entre verdes de mar. Sou homem e traduzo letras, bem ou mal, disperso ou mal afamado. Existo. Persisto. Enlouqueço diariamente e pouco tenho tido que me console.

Aguardo sinais de fumo, ônibus intermunicipais trazendo donzelas, campos onde todos os dias soldados morrem. Houve tempos em que não havia ainda cicatrizes em meu rosto. À minha espera apenas o cineminha aos domingos à tarde, o velhinho careca que proibia os meninos quando o filme não era livre. Ruazinhas secas, vermelhas, que ocupavam o interior do homem que um dia se lembraria., aflito.

Trago flores e festas, estes sinais que agora me desapontam. E na minha loucura, no meu anseio triste de não me perder, dissipo postes onde um dia grudei um chiclete sem gosto sobre o nome da garota que amava. Sardenta e de olhos claros. Tinha na mesa meu coração, como seu favorito das estórias de gibis (Tarzan, Zorro, Homem-Aranha, Fantasma enluarado), herói sem rosto, herói anônimo de Santa Cecília, o tímido que sabia escrever versos.

Isolado, escrevo em folhas brancas desapontados textos, onde manifesto meu espanto. Venço pela força, venço pelo vento, venço quem sabe, pela imensa tarde de janeiro que me cerca. Sons de música. Sons de gente falando mais alto do que devem. Sons de noivas, a prometida que  nunca será amada. Isolado, escrevo e me derramo, abafo promessas, enleio trovas antes escondidas e acovardadas. Mas o que é meu, não desfaço.
O que é meu, respeito e a despeito de tudo, reúno forças e vivo entre impérios.

PHYLOS
Enviado por PHYLOS em 17/09/2007
Reeditado em 17/09/2007
Código do texto: T656846

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Sobre o autor
PHYLOS
São Paulo - São Paulo - Brasil
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