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  PRIMAVERAS
   Rosany Costa

 
Já vi tantas primaveras!
  Algumas nem percebi, tão ocupada estava em fazer a minha vida. Quanta tolice!
  Sabia ser primavera pela mudança na paisagem. Uma gama de flores de todas cores. E eu nem me percebia. Não entendia nem a minha natureza...
  Claro que, como a maioria das mulheres, muito escutei em aniversários a tal expressão, tantas primaveras...
  Pois confesso. Foram muitas!
  E mais. Agora são as melhores...
  Atento mais para os detalhes. Percebo a repetitividade existente na natureza e isso em absoluto me causa enfado.
  Hoje sei dos ciclos eternos da vida e das suas mortes. Dos movimentos constantes, do quão nefastas podem ser as intervenções desrespeitosas, da importância do meu olhar de aprendiz e das atitudes corretas.
  Que nem sempre opor resistência é sábio, que persistência pode ser tolice. Antes parar que perder o rumo de si mesmo.
  Que se deixar levar pode ser gratificante! A natureza nunca erra.
  Aprendi também, que podas podem ser necessárias e que o tempo é sempre exato para toda mudança de estação. E que toda estação tem seu propósito.

  Nos ipês as flores prenunciam a primavera...
  As noites agora trazem um vento gostoso que alivia o calor e refaz a esperança de que logo venham as chuvas. O ar está rarefeito, a terra está ressequida, ressentida.
  Aspiro o cheiro da terra molhada! Preciso respirar, sentir a natureza acontecendo. Vida correndo em minhas veias como água correndo sobre a terra.
  Já repararam com que intensidade a terra mata a sede?
  E na complacência da água que se abandona à queda para logo se deixar sugar, sem no entanto interromper seu curso?
  E segue o veio, parecendo às vezes brincar de rolar... embolar... como que buscando algo distante e em movimento constante. Sem pressa...
  Para quem já caiu, agora é só deslizar, contornar os obstáculos e prosseguir na investida. Evaporando aqui, ali, naturalmente...   Até seu fim atingir.
  Assim, feito lágrima sentida que assoma, verte, escorre entrecortada por soluços e depois, expurgada a dor, acalma...
  Ah! Sei sim... as águas nem sempre vêm suavemente...
  Como poderia ignorar?
  Sou água!


  Os ipês?
  Ah! Os ipês resistem às agruras do inverno e florescem mesmo assim!
  Vistos de longe parecem enormes buquês de delicadas flores roxas. Ostentam sua beleza sem levar em conta que logo suas pétalas estarão, tal tapete, florindo caminhos...
  A natureza resiste e revigorada sempre ressurge. O sol na primavera reaproxima-se, aquece mais, parece brilhar mais.
  Tudo tem seu tempo, que não o meu, e, que no tempo natural acontece.
  E tudo que me resta é esperar naturalmente por muitas primaveras mais. E desejo primaveras com o curso das suas águas, com a exuberância das suas flores e frutos, tal a manga, que ainda verde, têm o formato de um promissor coração...



  Plenytude
  ©2007

Rosany Costa
Enviado por Rosany Costa em 19/09/2007
Reeditado em 04/06/2011
Código do texto: T659162

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Sobre a autora
Rosany Costa
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil
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25 áudios (2053 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/08/17 10:42)
Rosany Costa

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