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Precipício

Marisa estava à margem dum precipício.
Tanto tempo fazia que não se metia em encrenca, tanto tempo passeando pelos lindos verdes campos da liberdade, colhendo frutos e flores, enfeitando-se para ir andar à beira-mar.
Ali, caminhando tristemente pelas margens da grande queda,
mil pensamentos a envolviam:

"Por que tudo isso? E para quê? E se eu pular? Não quero pular..
Mas e se?"

Viver do 'se' é pior do que viver cheia de dúvidas menos coeerentes.

Por quanto tempo passaria naquela penumbra, naquele silêncio mórbido,
naquela iminência de qualquer coisa, ela não sabia.
Alguém poderia a tirar dali?
Ai.. se ela ao menos soubesse o caminho de volta..
Voltaria para onde? Para quem a deixou ali?

Marisa nunca foi muito forte em situações de desespero.
Ali ela se encontrava, de vez em quando se sentava, a contemplar a queda livre,
o buraco negro, se perguntando aonde aquilo ia dar.

"Poderia ser pior" pensou.

Realmente, tudo poderia ser pior.
Mas nada nos salva da fuligem, da névoa, do ócio desses dias mortais.
Bia Guedes
Enviado por Bia Guedes em 25/09/2007
Código do texto: T667973
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Sobre a autora
Bia Guedes
Fortaleza - Ceará - Brasil, 29 anos
148 textos (4067 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/08/17 20:40)