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Estranha loucura

Atire a primeira pedra quem nunca fez uma loucura por amor. Mas loucura mesmo, daquelas que, no outro dia, você tem até vergonha de se olhar no espelho, ao mesmo tempo em que não consegue disfarçar um certo ar de contentamento que só tem quem conhece o céu em vida. Loucura sem pecados, nem causas, aquela que acerta a vida, os ponteiros até do relógio digital.

Loucura de amor não é simplesmente ficar ouvindo Ana Carolina um dia inteiro sem enjoar, descobrindo em cada letra uma parte de sua história. Loucura de amor é repetir mil vezes que Quero te roubar pra mim (eu, então que não sei pedir nada) imaginar quando minha vida irá Encostar na tua, sabendo que é Exagerado, mas jogar-se a seus pés porque os dois adoram um amor inventado. Ter a certeza que esse amor te vira a cabeça, te rasga de ciúme, te invade de perfume e faz o corpo delirar. Saber que sua vida é uma trilha sonora de sucessos e também insucessos pessoais.

Loucura de amor não é apenas roubar um beijo no meio do expediente: é passar o dia imaginando a hora em que terá aquele corpo junto ao seu, sem compromissos, sem passado e sem futuro. Só aquele momento, só o agora vai interessar. Interromper o trabalho para um cafezinho, enquanto se fala de amor (e você sabe: “enquanto houver mulheres alegres ou tristes, interrompendo o trabalho para falar de amor ou nele pensar, a humanidade está salva”, como escreveu Arthur da Távola) diante da ameaçada da chegada do chefe. Isso é loucura de amor.

Loucura de amor é ficar se controlando um mês para não ligar para aquele telefone. Pensar, imaginar, analisar. Fazer tudo o que mandam os manuais feministas e deixar o mundo cair ao perceber que ele nem gostou tanto assim. Não isso não é loucura de amor. Loucura de amor é você ligar de novo.

Atire a primeira pedra quem já não controlou a vontade de ferir a fundo aquela mocréia que agora passeia de mãos dadas com aquele que um dia foi seu. Que divide a casa, a cama, os sonhos e os sorrisos tímidos de um mundo que você imaginou ser seu para sempre.

Atire a primeira pedra, aquele que tem vontade de matar a ex-mulher, não sabe até hoje como se envolveu com esse tipo, rejeita até a última gota de sangue qualquer possibilidade de retorno, mas não consegue segurar o instante furtivo em que seu corpo reage ao ver sua língua molhando os lábios como fazia antes para lhe provocar.

Não, não atire pedras. Apanhe-as e construa um pequeno castelo longe dos pré-conceitos, das dúvidas e incertezas e abrigue seus amores. Qualquer loucura vale a pena.
SUZY
Enviado por SUZY em 03/11/2005
Código do texto: T67025
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Sobre a autora
SUZY
Campos dos Goytacazes - Rio de Janeiro - Brasil
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