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POR QUE A TRISTEZA HOJE ME INVADE?

 

Hoje chove e está muito frio.

E, para tornar a minha interiorização mais saudosa e triste, esta primavera cismou em aparecer envolta por uma penumbra fria e também triste.

E não é como aquela primavera que vinha acompanhada por um bailado de flores, festivamente e devidamente cortejada por um bando de borboletas (pétalas) esvoaçantes.

É verdade, eu ando sempre triste, porque ainda sinto fome da tua boca e daquele teu sorriso malicioso que resvalava cheio de ternura dos teus lábios.

Sim!  Ando sempre triste, porque para aumentar ainda mais os meus tormentos, eu sinto sempre presente o aroma dos teus lábios e o teu perfume desequilibrante de mulher.

Ah, quantos arrulhos e beijos mil foram trocados quando, somente tínhamos por testemunha, esse mesmo céu e essas mesmas estrelas distantes.

Agora, sempre entristecido e perdido numa solidão interminável, eu ouço a tua voz misteriosa que vem não sei de onde.

Meu Deus! Eu acho que é o fantasma do amor que ainda vive ou quer ressuscitar.

Ah, como é torturante eu me lembrar dos carinhos e de todos os caminhos trilhados, até que chegássemos ao primeiro beijo, o mesmo beijo que fora nervoso e sôfrego e que iria impactar em nossos corações, todos os nossos sonhos para sempre.

Agora, sozinho e mergulhado em doces lembranças, eu percorro aqueles beijos que jamais se perderão, pois eles ainda me assombram em indizíveis sonhos.

Mulher, tu passaste por mim com tanta luz e com tanto calor, assim como passam os relâmpagos rebeldes de verão, e agora, permanecemos num vazio escuro e frio como se fossemos dois poços silvestres perdidos num caminho sem fim.

Por isso, eu ando triste e à espera daquela teimosa voz na minha solidão, para que ela se torne real e não um fenômeno estranho e inexplicável.

Seria ela?

Quem sabe? Tomara! Quem saberá?

 

 

 

 

 

 

Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 28/09/2007
Código do texto: T671959
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Sobre o autor
Eráclito Alírio da silveira
Imaruí - Santa Catarina - Brasil, 75 anos
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Eráclito Alírio da silveira