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Fidelidade canina!


FIDELIDADE CANINA
               Caso real


O fato aconteceu quando ainda eu era menino, (08), mas, me recordo muitíssimo bem do velho mendigo que pela rua passava todos os dias, batendo de casa em casa à procura de alimento.

Algumas vezes o velho, mesmo já tendo almoçado na caridade de algum vizinho, nunca rejeitou comida se algum vizinho lhe oferecesse outro prato. Por isso, ganhou de todos, o apelido de “Sete boias.”

“Sete boias” tinha um único amigo e, que amigo ele tinha! Um cãozinho franzino, um desses sem raça, jamais vi o “esquentado” (era assim que o velho o chamava) sozinho. Sempre quando avistávamos o cãozinho latindo, sabíamos que atrás dele, logo viria o velho pedinte.

Certo dia, ao sair para estudar, avistei algumas pessoas aglomeradas, por debaixo de uma marquise, percebi que o velhinho estava deitado encolhido e imóvel. Ao passar pelo local pude ouvir que as pessoas comentavam do frio que havia feito noite passada
Notei também a tristeza nos olhos dos que ali estavam. Perguntei para a irmã que me acompanhava se “Sete bóias,” estava doente e ela, balançou a cabeça como se dissesse sim, apressando o passo para que eu não entendesse a cena.

Morria ali, o mendigo “Sete boias”

Voltando da escola, desta vez acompanhado da minha mãe, olhei para a marquise encontrando somente o seu cãozinho, chorando baixinho, desconsolado como quem perde o pai muito cedo e fica pensando. E agora, como vais ser?

Cheguei mais perto e disse para minha mãe: Vou tomar conta do “esquentado” enquanto “Sete boias” estiver no hospital. Sabendo do acontecido e certa da minha afinidade para com os animais, minha mãe, não esboçou nenhuma reação contrária. Segurei na velha coleira e disse: Vamos para casa. Esquentado fez força para ficar, mas, acabou por se levantar e vagarosamente foi andando até o quintal da minha casa. Tentei de várias formas fazer o cãozinho se alegrar, mas tudo que fazia era em vão, só se levantou mesmo, no momento que para ele, fora preparado um bom prato de comida.

Na minha casa, o cãozinho não permaneceu mais que dois dias. Numa noite após o jantar ouvimos ruídos vindos do quintal e lá, se foi o cãozinho.

Manhã seguinte, encontro “Esquentado” esparramado no chão por de baixo da mesma marquise, como estivesse protegendo o velho amigo. Nunca mais encontrei o cãozinho depois daquele dia. Uns diziam que havia sido atropelado, mas, eu sentia que ele, fora mesmo à procura do seu grande amigo.





paulo cesar coelho
Enviado por paulo cesar coelho em 04/11/2005
Reeditado em 07/03/2012
Código do texto: T67250

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Sobre o autor
paulo cesar coelho
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
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