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A BEATA.

 

Um Caso de Hipocrisia.

 

Minha tia... Meu Deus!

Tão magra e fria, viúva e feia, mas com nostálgica agonia, ela pensa nas coisas desta aldeia e “cuida” com certa malícia a vida alheia.

Tem os olhos de serpente e a língua pronta para brandir, não sei como pode existir, essa gente que se mostra contrita, mas quando longe da igreja é persona maldita.

Em sua casa, quase sempre quer olhar a sua cria de patos que vão passeando malandramente, enquanto ela fica a manejar todo o dia a roldana e a lata cheia no poço.

Meu Deus, eu nunca vi tanta “fé”, para estar sempre pronta para ouvir a sua missa em jejum. Eu acho que é só uma maneira de se ocupar, a fim de mostrar à vizinhança a sua religiosidade. Coitada! Quem diria? Quanta hipocrisia e pensa que é fé.

No entanto, também acho que é só um desejo que almeja, para não manchar o seu já podre pensamento com o tal do sexto mandamento pornográfico.

Pensa ela que o pecado está somente circunscrito ao sexo e, a não ir às missas, aos domingos e nos dias santos e de guarda.

Infelizmente, a minha tia comete o mais horrendo dos pecados, é a falta de caridade que ela bem demonstra com a espada cortante da língua.

Quando morrer, ela que me desculpe, pois até torço por essa brevidade, a fim de ver os dois enterros: um do corpo e o outro da língua. Assim seja!

 

 

 

Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 02/10/2007
Reeditado em 02/10/2007
Código do texto: T676966
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Sobre o autor
Eráclito Alírio da silveira
Imaruí - Santa Catarina - Brasil, 75 anos
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Eráclito Alírio da silveira