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Pura crueldade

 Tudo bem eu confesso. Como eu tive a crueldade de te enganar esse tempo todo?! É verdade... Eu simplesmente, me acho no direito, de te tirar da cama, no alto da madrugada, com a roupa do corpo apenas, trancar-te no carro, e desmentir tudo que fiz você acreditar até agora.
 É claro que tudo isso é crueldade. Mas, coisas normais nunca foram minha especialidade. Impulsividade, é um dos grandes defeitos, ou acertos, nem você sabe, que você perde-se admirando em mim.
 Eu te roubo o sono e sucego mais uma vez. Talvez só por maldade. Para dizer, com frases desconexas, como alguém drogado e perdido, o que tenho escondido de mim e de você.
 Contando uma noite frustada, a qual eu condenei nós dois. Onde eu beijei alguém, não eram seus lábios, mas foi aí que me dei conta do tamanho do meu engano. Eu desejava o tempo todo que fosse seus lábios.
 Pensei em você, desejei você, mas não quis nunca admitir tudo isso para você. Não vou dar meu braço a torcer. Voltar a gostar de você. Isso não cabe em meus pensamentos, depois de tanto, eu me apaixonar por você. Depois tudo, de tanta dor, sofrimentos, paciência, amadurecimento, eu achei que eu mereci algo melhor que você.
 E eu gosto de você. O que eu estou dizendo?! Com o peito apertado e vazio, o coração pequeno, escondido, com medo. O que estou dizendo?! Eu gosto de você, estou apaixonada por você, eu quero brigar, discutir, amar, gostar, ficar, estar, ser você.
 Isso não tem senso. Eu e toda minha maldade. É verdade, você tinha admitido, eu tinha negado todas as suas possíveis formas, de fazer o mesmo pedido. Eu não podia dizer que estava me envolvendo, eu não queria estar me envolvendo, eu não sabia se você está se envolvendo. Mas você estava. Você está envolvido. Até onde?!
 O quanto mais eu consigo ser ruim?! Além de vir roubar teu sono, confundir-te, eu simplesmente, dei-te o que mais queria, e você não sabia como receber. Eu tirei minha máscara diante de você, assumi minha ruindade, minha maldade, minha falsidade. Fiquei de joelhos, mesmo sem estar, diante de você.
 É claro, é compreensível, você querer agora distância, dessa maluca, inconstate... Você vai fugir de mim, como um coelho assustado, quando vê seu reflexo no olhos famintos de um leão.
 É obvio, o porque estamos distantes, quem suporta viver com alguém que mente sempre para si mesmo, o tempo todo, eu me enganei. Eu tenho medo, de você, de mim, de "nós". O que será o "nós" agora?! Podemos mesmo fazer tudo completamente diferente de antes? Podemos nos entregar como se nada nunca tivesse acontecido?! Eu nem mesmo consigo manter uma rotina, manter o humor durante todo o dia?! Como manter um relacionamento, como manter você na minha vida? Como não te mandar embora mais uma vez?
 Eu não sei de mais nada, eu não dúvido de mais, eu não acredito em mais nada. Eu só quero viver o momento, mesmo que amanhã tudo acabe, talvez nos darmos conta de que tudo isso foi um grande erro, mas vivemos o momento, assim como já estamos fazendo, você e eu.
Claudia Rayzer
Enviado por Claudia Rayzer em 06/11/2005
Código do texto: T68000

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Sobre a autora
Claudia Rayzer
São Vicente - São Paulo - Brasil, 31 anos
139 textos (6844 leituras)
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Claudia Rayzer