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Paraíso

No mar vejo uma imensidão infinita, no coração o silencio repentino o barulho das ondas o luar a me iluminar, as areias empacadas nos meus pés molhados e você no meu lado.
-Juliana meu amor te amo, te quero por toda vida, meus dias, são noites sem fim, minhas noites, são dias sem sol, vivo na escuridão do lamento, você me curas aos poucos com seu carinho e amor, transformaste minhas trevas em luz, por isso agradeço-te pela minha vida, pois sem você, ela não teria sentido.
 Canto-te com paixão, ouço o barulho das ondas e o meu coração, vejo tudo em nossas mãos, visão sonhadora, jovem poeta que sou acredito nos contos que mesmo quebrei a cara, a penumbra me cobre aos poucos, à noite me deita sobre ela, o manto negro do céu escuro faz-me fundir-se a ele, aos poucos me tornando um imortal sonhador, imortal como o céu do luar, solitário e onipresente, enquanto minha amada dorme eu vou sendo puxado pelo luar, és dia de lua cheia, meus pés ao mar entra, devagarzinho vais conhecendo o límpido mar, os mares me puxam de vagarinho meu corpo se anestesia ao contato das águas, aos poucos entro onde se não posso entrar, eu vivenciei algo que se não pode viver, vendo o horizonte e o luar, meu corpo agora presencia o mar, do ar não posso usar, mas vou usar das águas para respirar e no fundo do mar descansar para um dia quem sabe voltar, a lua ilumina meu leito, minha alma juntará ao infinito do oceano tornando-se uma parte dele, meu corpo servirá de oferenda aos nobres peixes, a penumbra me cobriste completamente sem deixar vestígios me levou para, mas funda e escura profundidade, a noite termina, aurora surge do horizonte negro, quebrando aos poucos a escuridão, e o mar aos poucos me trazes de volta pra as areias da praia, o sol nasceu, mas um dia, o corpo frio como a noite quieto como a lua, o sol esquenta-me aos poucos as águas jorram pela minha boca e os ares entram nos pulmões.
-Você minha amada dividiste teu oxigênio comigo, expulsaste as águas, e esquentaste-me junto com o sol, com seu beijo devolveste minha alma assim fez meu coração pulsar por você, conheci o paraíso, fui onde ninguém pode ir.
- Amor você visitaste o fundo do mar, conheceste as águas intimamente, chegaste onde nenhum humano ser humano chegou, chegaste ao paraíso.
   Voltei para nossa moradia fizemos amor nessa noite tiraste meu fôlego, que quase não voltas, eu dormir abraçado a ela, sonhei com uma vida, mas a vida mesmo ainda vai me pregar uma peça, pois a vida tem suas armadilhas, e eu apenas estou começando a cair nelas.
Para tudo na vida a um preço conheci o paraíso, me iludi nas coisas de poeta, mas apesar deu voltar ainda ficaram as águas em meu peito, o ar rarefeito e a respiração ofegante, dores no corpo, uma vez que se entrega ao mar ele jamais poderá voltar, ele te chamará, pois você é ele, e vice-versa, duas matérias e uma alma.
- Amor você me salvaste da dor infinita da morte, me trazes-te de volta ao mundo, mas a morte ninguém engana, ela enceste em me chamar de volta, o mundo já mal posso ver, minha visão queres apagar de vez, meu corpo já não sentis dor, meu coração bate devagar perdendo a força, cansando com o tempo, o que ainda me deixas vivo é você, perto de mim
- Ó amor eu não sou uma Deusa para te salvar da morte, mas sou uma mulher apaixonada capaz de morrer junto ao seu amor, se você tem que ir aos campos Elíseos, irei com você, não tens sentindo minha vida, sem minha uma razão do meu viver.
Depois disso a minha amada Juliana choraste dias de lamentos cuidando de mim com esperanças deu não morrer dias a, pois dias ela ao me lado, cuidando de mim como se fosse um recém-nascido.
Mas o dia chegou, a tosse insistente, incontrolável me perturbava a pneumonia eu tinha contraído nesses dias, em que ela cuidava de mim, aos poucos ia acontecendo o inevitável não tinha como não acontecer, minha alma partiu de vez, enquanto ela dormia comigo, quando acordaste viste meu corpo frio, agora mesmo com seu calor era impossível esquentar-me, mesmo no sol, meu funeral só tinha ela, pois dos familiares me separei há anos, eu morri na aurora, numa segunda-feira, ás 06h30min da manhã, vi o sol nascendo e eu morrendo, meu amor me enrolou em ataduras da cabeça aos pés, e depois num singelo barco me levaste a parte mais funda do oceano até o ponto que ela conseguiu chegar e me jogaste para eu agora sim descansarei no mais fundo e escuro absoluto.
Na minha partida ao fundo ela gritaste:
- Amor se você vai ao mais profundo e escuro lugar eu ireis junto a você, pois minha vida não terá, mas sentido.
Minha amada não pensou duas vezes, pulou e comigo se agarrou, descemos até o fim, quando se encostaste ao fundo já estava morta, nós abraçados ficamos, por muito tempo, imortalizamos junto ao mar, uma coisa aprendi, jamais tente enganar a morte, se conheceste o paraíso por lá fique, pois se voltar você se arrependerá de ter saído do mais perfeito lugar para viver num mundo injusto e cruel como o nosso traiçoeiro e maldito, mundo.







Lucas Castelo
Enviado por Lucas Castelo em 09/10/2007
Reeditado em 09/10/2007
Código do texto: T686748

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Sobre o autor
Lucas Castelo
Fortaleza - Ceará - Brasil, 26 anos
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Lucas Castelo