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É só o que eu posso querer!

Quero a musica lenta que acalma;
Quero a ingenuidade da menina;
Quero, do adolescente, o temor,
Misturado ao desejo da descoberta;
Quero a sensação mais espontânea
                                             da alegria.
Quero chegar em casa
e abraçar minha mãe
E meus irmãos
Com eles sorrir e dizer,
"O dia foi bom”;
Quero ter alunos que aprendam,
Não porque fui eu que falei,
Mas porque, através de mim,
Descobriram algo novo e interessante.
E eles viram e vibraram com o que é belo;
Quero que não guardem o que digo
Em memórias de computadores
Ou em papéis impressos.
Quero apenas que me ouçam e reflitam,
E tirem suas próprias conclusões.
E se o que eu falei foi bom,
Que o guardem no coração.

Quero meu filho me procurando
Depois do jantar pra dizer o que aprendeu
Na escola, na internet, no livro do Ziraldo,
Ou do Monteiro Lobato,
Ou na Revistinha do Maurício de Sousa.
E mais tarde, quero aprender com ele
A gostar do mais novo som underground
                                                    que houver,
Ou qualquer que seja o termo usado então.
E mais tarde, quero que ele me procure
Quando conhecer a menina mais interessante,
seja o que isso possa representar pra ele,
                                                     da sua escola,
E, mais tarde, quero que me procure
Na angústia da escolha da faculdade.
E depois, me pergunte onde comprar
Um bom anel de casamento.
E mais tarde, esteja ele no Japão,
Ou no Siri Lanka,
Que ele me ligue pra dizer,
“Velho, quando vai depositar aquela grana?
Que vou te pagar, viu. Não se preocupe!”

Quero minha mulher, sorrindo,
Comentando algo do que conversamos
                                                  anteriormente.
Quero meus amigos, animadamente
sorrindo pra mim,
E quero estar com eles sempre aprendendo...
ensinando... aprendendo...
Isso, pra mim, é discutir.
E quero que eles sejam ouvidos.
Que nas rodas de bar, ou de qualquer lugar,
Ninguém fique na vontade de ter dito algo.

Desprezo a falsidade e a reconheço de longe.
Vinte e nove anos de convívio
E os aparatos científicos de observação do comportamento
social me dotaram com uma espécie de sexto sentido
Para entender um pouquinho das pessoas.
Embora não saiba tudo.
E seria um desânimo imaginar que posso
algum dia conhecer tão a fundo
a que raias de insanidade pode chegar
                                                  a nossa maldade.
Admiro os profissionais competentes
E todas as pessoas que estendem a mão
Sem que lhes houvesse sido pedido.
Quero me apaixonar todos os dias
                                            pelas mesmas coisas...
E por coisas novas...
E por essas mesmas coisas...
e pelas coisas novas...
Reconheço a tristeza num simples olhar,
Em algo escrito.
E isso me atrai.
Meus amigos se parecem um pouco comigo,
Se parecem com algo que eu vivi.
Vejo neles alguém que eu fui...
Ou alguém que eu quero ser.
Cultivo algumas loucuras,
a música, a poesia e o carinho.
Gosto da luz do sol,
Mesmo o dia estando quente.
O sol em dia de primavera,
Quando as árvores estão florindo,
Confere uma cor especial ao mundo.

Me comovo com a situação
                                  de algumas pessoas.
Também sou individualista, como o é quase todo mundo.
Mas, se tenho dois pares de óculos de miopia do mesmo grau,
E sei, por absoluta certeza, comprovada em competente aval,
Que a pessoa ao meu lado é míope tanto quanto eu,
Não tenho egoísmo ao oferecer o par que me sobra.

Isso é um pouquinho do que sou...
É também o que quero ser.
E a minha oração é esta:
“que o mundo me permita continuar
                                              a ter esses pensamentos”.
Cada dia mais são. Cada dia mais eu.
Arpejo
Enviado por Arpejo em 14/10/2007
Reeditado em 14/11/2007
Código do texto: T693376

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Sobre o autor
Arpejo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 39 anos
83 textos (3514 leituras)
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Arpejo