Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Tenho jogado minhas letras ao vento

Tenho jogado minhas letras ao vento sem colar papéis de lembranças nos olhos da menina que canta a lua e encanta cada risada ingênua de pedir um pouco mais de atenção. E lá fomos nós comer pão e patê na casa de quem me quer  mais que palavras e quase arrisco um gostar que sinto e gosto. Meus olhos andam cansados de não fechar por tantas horas em qualquer sonho perdido entre a madrugada e o entardecer que já nem sei por quantas vezes vou dormir para recuperar o sono que não volta mais.  Meu coração anda Saara como há muito não conheceu a palavra amor sem virgulas e interrogações de acreditar que um dia vai acontecer de chorar e gozar ao mesmo tempo. Minhas pernas andam cansadas de procurar caminhos que ando todos os dias com os mesmos pés de ir e voltar como se nunca fosse o mesmo caminho sem buracos numa cidade que já virou lago de chuvas que fazem chafariz em bueiro de esquina. Minhas mãos andam teimando repetir pensamentos que mal sei onde vou buscar se não sinto o que digo que sinto por não sentir realmente e só pensar sentir um dia. Minha boca anda seca inundada de palavras sem muito sentido nesse tempo tão moderno de meninas sem pudor e meninos comedores que já nem sabem o que é querer sem sexo ou com sexo só um pouco depois de não dizer nomes e apresentações formais num dia de festa com muita bebida na cabeça. Cabeça. Minha cabeça anda perguntas ainda mesmo que digam que se foram os dias de pensar e vieram os dias de trepar. E penso porque trepar já não me parece tão legal como fazer amor e já nem sei também se fazer amor é como dizem no cinema ou se é apenas gritar puxando cabelos e esbofeteando bundas num espelho de teto redondo e camas quadradas. Meus ouvidos andam entupidos de palavras que já não me instigam respiros entrecortados que sempre penso rir quando o certo seria chorar desilusões de correr sem destino. Vá lá que me disseram olhos menos tristes e eu acreditei por saber que nem tudo fica como antes ficou por tanto tempo sem que voem como pássaros e depois sempre morrem no caminho errado e sigo qualquer luz que pisque um pouco mais azul blues azuis no sorriso da menina que conta estórias de princesas e suas saias de bailarina entre bruxas e monstros da vida real. Ando sentindo meu  corpo ambulante procurando quem me compre os sonhos há muito tempo  contrabandeados...
Paula Cury
Enviado por Paula Cury em 10/11/2005
Código do texto: T69444

Copyright © 2005. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Paula Cury
São Paulo - São Paulo - Brasil, 47 anos
114 textos (8472 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 10:05)
Paula Cury