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Liberdade é não ter medo

No começo não se tem medo. De nada. O útero, o abraço, parecem oferecer segurança. De sobra.

Mais tarde, sem medo, de nada, experimenta-se. De tudo. Sem dúvida, o melhor tempo. O medo ainda não chegou. Goza-se da perfeita liberdade. Pensa-se que é livre. Para tudo.

Pena que o tempo passa. Implacável. Vem o medo. De tudo.

Medo de não ser amado. Amar e não ser correspondido. Medo de ser traído. De se sentir idiota, de ser idiota. De encarar a vida adulta. De não ficar bem na foto de identidade; não saber votar. De não conseguir trabalho. Do juízo.

Medo da bomba, de chocolate, que engorda e cria espinhas. Atômica, de gás, da polícia. Da bomba na escola.

Quando o tempo parece "dar um tempo" e, com muita sorte, a vida se estabiliza, vem o medo de perder o emprego, as conquistas, o amor. Medo da violência, da guerra, do trânsito, da injustiça.
Medo do perigo real; do imaginário.

Medo de gerar filhos e do ato insano de controlá-los e protegê-los.

Liberdade é não ter medo. De nada. É não apegar-se a nada que possa tornar o homem escravo. De coisas, de pessoas. De fatos, de recordações. De envelhecer, das rugas, da solidão, da morte.

Liberdade é não ter medo do juízo. Final.
Cidinha
Enviado por Cidinha em 16/10/2007
Reeditado em 12/06/2011
Código do texto: T697097
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Sobre a autora
Cidinha
Campos do Jordão - São Paulo - Brasil
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Cidinha