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EM TRÂNSITO

EM TRÂNSITO

Passa ...passa e... passa gente
Gente lenta e agitada
Passa o rapaz alinhado
Com notebook  e... apressado
Passa a menininha loura
De micro saia , quase um cinto ...
Celular brilhante e ruidoso
Dizendo ao mundo:eu existo!!!

Passa o senhor sisudo
Com cara de poucos amigos ...
Passa o casal sorridente ,
Olhos nos olhos perdidos
O mundo ao redor , o agito...
Para eles: indiferente!

Passa o rapaz da moto
De capacete na mão
Correndo com a encomenda
E a entrega ao patrão....
A senhora gorda com as malas
E crianças em profusão...
Aguarda a chegada de alguém
Que lhe possa dar a mão

Chora o menino, quer colo
Grita a outra, quer também...
A mãe simplesmente diz...
Calma, sua irmã já vem!
Chega a mais velha com lanches
Distribui a todos igualmente
Um olhar de quero paz , rosto marcado que diz...
Querer uma vida diferente!!!

O senhor lendo o jornal
Comenta com o engraxate
Esse mundo está perdido
Até o clima é um disparate
Enquanto lustra os sapatos
O rapaz responde,atento
Isso está nos livros, moço
É o final do tempo!

Cheiro de café no ar...misturado aos perfumes...
Miscelânea de odores vários
Bagunça de músicas e vozes
Na tv vemos a previsão
De que hoje vai chover
Comenta o rapaz ao lado:
Ufa, precisa mesmo
O calor está de enlouquecer!!!

“Atenção, senhores passageiros...”
Essa voz já tão familiar
Provoca um corre-corre terrível..
Há os que vão, mas queriam ficar...
Pois prolongam a despedida...
Num conflito bem visível
Entre  o querer escapar
Daquele dever de partir

A voz lá no alto falante
Provoca outras corridas
A moça que chega atrasada
E o rapaz elegante ....
Correm todos para o mesmo lugar...
E a nós que ainda não vamos
Só nos resta esperar

E o relógio lentamente...
Marca as horas e os minutos
Gente vai e gente vem...
Tumulto, malas e sacolas...
Rostos diferentes, multidão de olhos
Aflitos, calmos,alegres e tristes...
Situações pitorescas
Algumas até bem burlescas

Passa a mulher vestida
Como se fosse a um baile
E a moça de sandálias
Com tatuagens no braço
O rapaz forte e “sarado”
Ouvindo um som ruidoso
Olhando para as meninas
Com ar de: “eu sou o gostoso”!!!

Passa o guarda e o segurança
Vem a moça faxineira,varrendo...
Tentando transformar o espaço
Num local mais agradável
Pois naquela hora há o caos de papéis e copos no chão.
E reclama sem parar, da falta de educação
Dos usuários que não conseguem
Nem enxergar a lixeira!

Tanta gente, tantas vidas...
Aonde será que vão?
Para quais destinos partem
Efêmera comunicação
De olhares, sorrisos sem contato...
Sem sabermos uns dos outros ...
Apenas gente passando
Sem se encontrar de fato

Nunca mais nos veremos?
Será que nos encontraremos?
Verei de novo esses rostos?
As expressões que eu vi... e que ficaram marcadas?
Nessa hora ouço a chamada... é hora de meu embarque...
Desço a escada bem rápido,como se tivesse asa... .
Ainda sentindo as pessoas
É hora de ir pra casa!!!!
Vera Ciuffo
Enviado por Vera Ciuffo em 26/10/2007
Reeditado em 15/05/2012
Código do texto: T710522

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Sobre a autora
Vera Ciuffo
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/10/17 06:21)
Vera Ciuffo