Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

(imagem de Daniel Carreira, www.thousandimages.com )

TORTA, EU??

            Chamem-me doida, incoerente, amalucada, impertinente. Chamem-me uma biruta contumaz. Como queiram, se assim lhes apraz. Chamem o que  penso e digo daquilo que bem entenderem, já que pra mim, tanto faz. Gostem ou não, ofendam-se, se for o caso, mas a ser como tenho observado, não me “ajunto” e não me caso. Viver junto muda o nome, mas é também o mesmo caso.

            Mesmo teto, escovas juntinhas, mas “por favor, não durma tão encostadinha” depois do serviço prestado. Se for esse o caso, declino, rejeito e  passo. Tanta gente se junta pra virar um (número) par. Um par de solitários, cada qual na sua, porque, afinal, somos modernos, tem que ter privacidade. “Imagina, a gente se a-do-ra!”. Vá acreditando que é verdade.  Claro, principalmente se ficamos o tempo todo na rua, a gente se encontra, e cada um  na sua...  Ah! Vá entender gente que não se ama e exige ser amado. “Eu te amo, sim, desde que seja do meu jeito, e com você bem guardado... Mas, sem muita gracinha,ô tarado!”. 

Gente que diz gostar de estar junto e quando está quer mudar porque o outro afinal, é algo que não se suporta... Gente que quer amor, mas quando o talzinho bate na porta, foge correndo e gritando “Não. Muito obrigado,não me interessa e nem me importa! Ponha-se daqui pra fora, que disso eu não provo nem morta.” Vá entender gente tão torta...

“Ah, você é tudo de bom, tão adorável e tão companheira...” Mas não te conto meus conflitos, minhas dores, meus medos...Quem garante que você vai guardar meus segredos? Que raio de coisa é essa – seja ela o que for: relacionamento, casório, ajuntamento – em que um do outro tem é medo?

            Agora, você que está do outro lado, me diga se está errado, se sou eu a destrambelhada: o que essa gente quer? Mulher fala mal de homem, e os ditos, de mulher... Até hoje não faço idéia, nem a mais aproximada. E ainda há quem estranhe minha cara de feliz, de toda bem sossegada, vivendo na minha, eu e mim, vamos indo bem assim, uma com outra casada... Sou eu a doida, biruta, amalucada?  É por aqui que eu paro, agorinha. Nem vou tentar entender o porquê...  Ah! Está  claro! Viver em paz, ainda mais se for sozinha, hoje é artigo raro...

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 26/10/2007
Código do texto: T710805

Copyright © 2007. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (157130 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/08/17 00:54)
Débora Denadai

Site do Escritor