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CINZAS

Ébrio vago pela vida,
Na calçada do pensamento escorregadio
E em câmara lenta vejo o tempo descompensado,
Alisando a textura molecular dos meus sentidos.

Debruçado na rede da memória,
Busco a história no emaranhado das raízes
E escrevo as aventuras de um arlequim
Perdido por entre os trilhos do mundo
Viajando entre os dedos das mãos.

Um carnaval em meio a multidão,
A alegria iluminando, estampando
A manhã que se vestia de confetes.
No palco os passos, nas ruas os passos, os traços,
O copo de cerveja lavando as lembranças.

O aplauso acorda o samba,
A alma emprenha a música,
Rouba-lhe a atenção
E as baianas soltam a alma afro-brasileira.
O toque da cuica enreda ao dia
O que a noite fez na fantasia.

Em frente aos casarões antigos
Os sapatos rasgados são abandonados,
Põe-se à espera, passo a passo passa a primavera,
O outono desperta o inverno e chega o verão
E mais uma vez passos enchem as ruas descobertas.

A desventurada apoteose desfaz as máscaras,
Lá fora, volta e meia pierrots e colombinas
Braços dados à quarta-feira de cinza,
Vão adormecendo o glamour,
No fantástico da vida, na cinza do tempo.






Ecila Yleus
Enviado por Ecila Yleus em 28/10/2007
Reeditado em 14/03/2009
Código do texto: T714117

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Sobre a autora
Ecila Yleus
Recife - Pernambuco - Brasil, 64 anos
328 textos (10436 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/08/17 13:24)
Ecila Yleus