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NEGROS E OS VENTOS DO PODER

Conversa comigo a Poesia, dama solitária de vestes rotas.

Por estas plagas dos torrões do Sul, no forasteiro recém–chegado permanecem as pálpebras suarentas de pó e o ancestral açorita. Este, o de além-mar, dorme eternamente no revolto das entranhas desta nesga de terra lavrada margeando a Lagoa dos Patos, onde sumiram um dia – faz muito tempo –, a prosperidade agrícola e a riqueza do sebo e do charque. Tudo culpa dos ventos do poder épico.

Olha-me com olhar esbugalhado uma grossa argola de ferro. Faz duzentos anos que ela está ali, presa no tronco de uma figueira. Talvez seja o eco lancinante dos gritos dos escravos este zumbido que paira no ar. Um látego perpétuo gemendo nunca mais. Que existem somas de ais, de dolorosos gemidos em cada tesoura, em cada oitão de casa antiga.

A fada-madrinha sabe que é urgente a ternura para todos os irmãos.

– Do livro CONFESSIONARIO / EU MENINO GRANDE. Porto Alegre: Alcance, 2008, p.303:4.
http://www.recantodasletras.com.br/prosapoetica/725233
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 06/11/2007
Reeditado em 03/05/2013
Código do texto: T725233
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 71 anos
2829 textos (765844 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/10/17 10:18)
Joaquim Moncks