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CANÁRIO MORTO

Emudeceste para sempre. Cristalizou-se na tua garganta, no ultimo
hausto de agonia, o trino mais lindo, o canto mais belo, a queixa mais
dorida. Deixaste, como herança, o silêncio que doi e se alonga sem
remédio. Tua alma alada, presa na gaiola, onde aos teus sonhos de
infinito se desvaneciam, diluidos em sons e amavios da tua arte, voa
agora, cega de azul, bêbeda de vento...
A morte deu-te a liberdade que enchia de miragens, inquietudes e
anseios a tua vida. Mas deixaste o teu corpo ressequido, recoberto de
plumas macias e douradas...
Vendo-te, sinto a tristeza imensa que envolve as coisas que deixaram
de existir.
Teu bico côr-de-rosa, que se entreabe sôfrego, para espalhar as
melodias quentes do teu canto, jaz fechado e mudo...
Sinto-me adejando ao redor do pequeno mundo que foi teu, sofrendo
a saudade das vozes que te falaram, das mãos que te cuidaram, da
água que corria das folhagens que adornavam o cantinho do muro
em que vivias. Tua alma, cândida e pura, amava os teus verdugos.
Não conhecias o ódio a ingratidão e a vingança. Possuias a beleza
do sorriso das crianças, a mansidão das ovelhas apacentadas, as
côres do arco-iris e a alegria das manhãs de sol.
Eras artista, músico e poeta.
Celisa Diniz Corrêa
Enviado por Celisa Diniz Corrêa em 07/11/2007
Reeditado em 13/08/2009
Código do texto: T726669

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Sobre a autora
Celisa Diniz Corrêa
São Paulo - São Paulo - Brasil
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/10/17 01:13)
Celisa Diniz Corrêa