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Noite

Vem a noite devagar
lançando húmidas tentações
em vagas memórias de tesão
podiam ser outras as conclusões
se a cegueira fosse curada
se a vontade fosse ampliada

Vem a noite e adormeço
voando pelos sonhos desvairados
sem limites ou a pique
pelo desfiladeiro
pela montanha acima
apenas vou
e não quero acordar
apenas celebrar a ausência
de consciência
em turbilhões de incoerências

Vem a noite e desconheço-te
musa que inspiras raios e trovões
que adornas nomes e confusões
afinal o que mereces de mim
nesta noite sem norte
seca e e indesejada
fria e morta
como a natureza depois do fogo
podes ir que não te quero
apenas espero pelo fim
da noite
no frio do amanhecer
e apesar de tudo
sei que estás por aí
que gelas a sós porque sim

Vem a noite sorrateira
e por medo de viver
de me ter em corpo inteiro
preferes que me vá embora
que siga um rumo para viver
longe do teu corpo
sempre dentro da alma
mas mulher, que te amo
que nem louco
sabe-me sempre a pouco
ficar com os despojos
de uma guerra
de vencidos
de idos sem regresso
da solidão sem conserto
das mágoas e dos erros
e das sentidas condolências
e um dia oxalá que não te lembres
numa noite a sós,
que poderíamos ser apenas um!
Manuel Marques
Enviado por Manuel Marques em 13/11/2007
Código do texto: T736075

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Sobre o autor
Manuel Marques
Espanha, 45 anos
548 textos (58974 leituras)
50 áudios (13972 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/08/17 11:49)
Manuel Marques