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O Dia Depois de Ontem...

      No céu da noite, na lua cortante... estive mais uma vez, muito mais triste desta vez, muito mais singular, como um animal perdido procurando por um lar, sem dignidade alguma, sem lágrimas pra chorar, sem alegrias passadas pra relembrar, a vontade de gritar é grande, mas na garganta não há sopro de vida nenhum, não há mais vontade, não há mais criatividade, na cavidade mental... só a tristeza se exala, se iguala à morte. As linhas curvas de minha poesia não me aliviam mais, nas rimas frias e fracas, eu tento me coexistir, me confudir com alguém.... não há estratégia... no papel sujo, na poesia que nunca mais tentei escrever... estive parado em frente ao espelho, vendo as mudanças chegarem, os medos se confrontarem... e as mudanças vêm, do espelho à mim, reflexo constante do duvidoso...
         No arco-íris cravado no horizonte, nessas tuas feridas, que sei que tentas esconder de mim, eu tinha outros tipos de cores em mente, onde as luzes não brilham mais... nem podemos ver à nós mesmos, as cores não existem. Não existe sonhos.... não existe o universo... essa dor nunca mudará, essa dor nunca passará... eu tinha outros tipos de mudanças em mente, que faríamos vagamente e silenciosamente para que não houvesse desafios maiores que nós, quando não houvessem luzes... os raios e trovões nos guiariam, não existiria uma estrada sem fim.... só a chuva nos molharia, só a chuva seria testemunha, quando não houvessem mais luzes nem cores, eu estaria com você....
        Onde as luzes não brilham, e as cartas não chegam, eu estive preso lá, e lá as mudanças não chegam, não existe dignidade.... só a insanidade.... é só um coração partido... a dor logo passará.... "filho, pra essa dor não há cura", não há nem horizontes pra explorar... só o sol pra nos julgar, no assoalho manchado de tempo, no tapete rasgado pelo cachorro, na tv que nunca foi colorida, na foto que nunca saiu da parede... não há desculpas para o que você fez... nem sei de que posso te acusar... é só um coração partido filho, essa dor (nunca)
passará...
        Seguro firme no que acredito, as mudanças sempre chegam, nas  complexas contradições da vida, nos constantes paradoxos das poesias, nas palavras sagradas de mãe, no colo de mãe, na imortalidade de mãe, no piano.... doce, que nunca tocou uma nota sequer, eu só preciso de uma nota... pra me guiar por entre as frestas do medo... O que devo fazer com minhas cores, com minhas notas, com minhas fotos, com meu arco-íris do horizonte, com meus pensamentos, com meus planos?.. não existe eu, nem você, e tampouco eu e você juntos, em uma mesma frase, em um mesmo pensamento... Não existe mais nada... mais nada... mas porque você quis assim.
Andrey Teixeira
Enviado por Andrey Teixeira em 14/11/2007
Reeditado em 21/12/2008
Código do texto: T736928

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Sobre o autor
Andrey Teixeira
Ilha Solteira - São Paulo - Brasil, 29 anos
107 textos (7022 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/08/17 02:06)
Andrey Teixeira