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FACES DAS CALÇADAS

O céu amanheceu ensolarado.
A noite foi úmida e fria,
Mas tu tiveste sonhos plácidos.
A aurora veio luzente e cheia de vida.
Um dia inteiro terás pela frente.
Ao fim deste, quando o sol se por,
Irás de encontro ao teu lar acolhedor.
O aconchego sagrado te espera...
Abaterás o corpo em tua cama macia,
Descansarás a cabeça em um travesseiro estufado.
Pensaste que tu és um privilegiado?
Recordas da noite que passou?
Dormiste tão bem que nem sentiste frio!
Recordas do pão e do café que tomaste?
Recordas do “bom dia” da família?
Lembras do teu trabalho?
Claro, só reclamas de fadiga!
Passaste hoje pelas ruas da cidade?
Olhaste para o lado?
Olhaste para as calçadas?
Talvez não...
O trabalho pode estar a te preocupar.
Pensaste ao menos uma vez que tens um?
Reparaste os meninos, moços e velhos
Abatidos no passeio, sujos, famintos e sedentos?
Reparaste as vestes daqueles coitados?
Compare com as tuas...
Reparaste aqueles pés?
Estão nus e expostos ao solo impuro.
Reparaste os teus?
Estão calçados em couro ou lona?
Curiosamente pensaste:
O que eles comeram?
Será que comeram?
Será que comerão?
Tu alimentaste de caviar, filé mignon
Ou de uma singela refeição caseira?
É certo que não ligas,
Nunca faltou comida à tua mesa!
Em algum momento pensaste no frio que faz lá fora?
Por certo, nem o sentiste,
Um dos vários cobertores que tens te aqueceu!
Eles tiveram que disfarçar a friagem da noite
Com jornais ou pedaços de pano.
Imaginaste o que é não voltar e nunca ir?
Ir para onde?
Não há trabalho...
Como voltar?
Não existe lar...
A residência é a rua!
Já ficaste sem dinheiro?
Talvez sim,
Mas não por muito tempo.
Já sentiste fome sem ter o que comer?
Já te achaste em ocasiões em que não há saída?
Já roubaste?
Claro que não...
Não precisas!
Ladrões, marginais, pivetes...
 “Um mal social”.
Procuraste alguma solução?
Aposto que não...
Tu não és um deles!
Já tiveste inveja?
Aposto que sim...
Queres sempre mais!
 Todo mundo quer!
Mas, reparaste que outros tiveram inveja de ti?
O sonho de alguns pode ser um pouco do que tens.
Olhaste no espelho?
Agora olha para eles...
Certamente, podes notar diferenças...
Tiveste sorte pelo que conseguiste!
Coloca-te no lugar deles...
Terias forças suficientes para lutar...
Lutar e vencer?
Talvez sim!
Alguns realçam perante o infortúnio.
A vida é assim:
Uns estão no cume e outros são da ralé.
Mas, deves estar pensando quem sou eu;
Se faço algo em ajuda daqueles pobres coitados...
Se pensas assim, pecas!
Tua consciência é que deve estar tranqüila,
A meu modo de pensar não trará paz ao teu espírito.
Posso ser alguém importante...
Alguém que julgues capaz de te ajudar.
Caso eu te visite um dia desses,
Tu mandarás que eu entre em teu lar,
Assente à tua mesa,
E servirás do bom e do melhor...
Mas, posso ser alguém que venha bater à tua porta
Suplicando-te um pouco de sobra da última refeição...
Aí eu faço uma pergunta derradeira...
E gostaria de ouvir uma resposta honesta:
O que tu farias neste caso???

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Site do poeta: www.marcomansoro.wix.com/poesia
Marco Mansoro
Enviado por Marco Mansoro em 19/11/2007
Reeditado em 31/07/2013
Código do texto: T743686
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Marco Mansoro
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 52 anos
159 textos (14978 leituras)
28 áudios (1249 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 16/08/17 23:45)
Marco Mansoro