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MAR

Mar


Foram dias de súplicas
não me sentia extraordinário
nem havia o sentido da liberdade deliberada
não o raio do amor não cirandava na espuma
na fúria do mar revolto pela tempestade envolvente.
Olhava em redor
a paga era apenas o vento a desgastar as rochas
do pedaço mais Ocidental da Europa
consumi um pedaço de consciência já apagada
redimi os pecados a um deus sem forma
a uma entidade sem crença nem abalo.

Foram os dias da falta de abraços quentes
dos beijos urgentes
antes da chegada de algum demónio antigo
e quando chegava a manhã, da ressaca e do silêncio ao redor
apenas o mar acalmava o desejo
de por fim às súplicas de ignorância
de imaturidade e inconsistência.

E eu fiquei ali sentado,
a olhar para o desconhecido
à espera dos teus olhos de sereia
do chamamento de Poseidon
que me levasse para longe
para a profundidade
onde nem os peixes se escondem
apenas o que poderia ser o dealbar
a aurora de uma nova encarnação
o descanso da fúria mesquinha do adeus
à solidão sem amor nem tesão.

Abracei o mar, na fúria de uma onda destruidora
como todas as ondas gigantes em forma de pesadelo
perdi o medo das consequência, do pecado sem significado
segui sem preocupações até te ver
até sentir que o amor poderia ser algo superior à morte
e rezei, rezei como nunca soube nem quis
e tudo escureceu em volta
em desejos oprimidos pela realidade tensa
mas Poseidon continuava a ser o meu desejo imerso
numa conclusão longe de assentar definições.

Não, não tenho paixão pelo dias de hoje
não sinto o amor que devia
apenas o mar entende a ausência do amor que não tenho
apenas a sua força destruidora, apaziguadora
me fará renascer para além da Atlântida
num qualquer outro continente perdido.

Não creio nesse amor que todos apregoam
na doçura de um espírito sem ardor
apenas a solidão, o desconhecido,
o mar nas suas idiossincrasias me fascina

Com o mar não há desapontamento
apenas um fim em caso de afrontamento...

in o medo do dia seguinte, magna editora, 2007
Manuel Marques
Enviado por Manuel Marques em 20/11/2007
Código do texto: T745325

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Sobre o autor
Manuel Marques
Espanha, 45 anos
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